Depois de dois anos de confinamento e perdas, era preciso voltar a sonhar, a fazer planos, a pensar no futuro. A vacina contra Covid 19 abriu uma avenida para festejar a vida. As barreiras que nos separavam dos outros foram rompidas e voltamos a dar as mãos, a beijar e a experimentar todas as posições do amor. Tiramos as máscaras artificiais e ficamos com as nossas, que escondem nossos segredos. Demos um grito de liberdade que abriu as portas dos motéis e nos embriagou nas boates, envolvidos no calor de outros corpos. A vida voltava com todo o seu esplendor.
E, de repente, somos obrigados a olhar para trás, torcendo para não vivermos uma nova tragédia. Ao tempo em que não podemos nem devemos fomentar o medo, é necessário um ponto de equilíbrio nas coisas que fazemos, como nos comportamos e se o que estamos levando para casa não ameaça nossos filhos, pais e avós.
Os ventos não são bons. Uivam como quem adverte que tudo pode se repetir outra vez.
Quando os números falam é bom ouvir. A Covid voltou, não com a letalidade de antes, mas pode se tornar letal novamente. Pode nos confinar outra vez, reprimir nossos planos, matar os que amamos.
Num espaço menor que 30 dias, de 1 de novembro até esta segunda-feira, 28 - o vírus infectou 4.081 amazonenses e matou 36. É pouco? O risco é um filho, um pai ou um amigo entrar nessa estatística do “é pouco,” o que será muito para cada um de nós. Reflita.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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