Início Coluna do Holanda Relatório da CPI da Saúde expõe corrupção e cobra órgãos de controle
Coluna do Holanda

Relatório da CPI da Saúde expõe corrupção e cobra órgãos de controle

Coluna do Holanda
Por Coluna do Holanda
30/09/2020 00h58 — em Coluna do Holanda

Quando a CPI da Saúde encerra seu relatório pedindo  que sejam investigados  os  atos administrativos praticados por ex-secretários  da Susam, entre 2011 e 2020, foi  porque durante esse período os órgãos de controle deixaram de fazer o dever de casa. O que a CPI fez foi  resgatar um princípio - o da responsabilidade com a coisa pública e sua vigília, que deixou ide ser exercida. Mecanismos de controle a sociedade construiu ao longo dos últimos anos, a um custo alto, porque se alimentam de duodécimos do orçamento do Estado - dinheiro que sai do bolso do contribuinte. A ideia dos legisladores era que a constituição desses mecanismos valesse a renúncia a um dinheiro  -  que retornaria à sociedade em forma de vigilância dos gastos públicos,  mas  que passou a servir a outro propósito  : alimentar uma burocracia que vende favores, quando não se omite.

Conclui-se,  lendo o relatório da CPI,  que se não houve controle de quem gastou, quem tinha a tarefa de  fiscalizar - inclusive o próprio Parlamento - deixou de investigar por incapacidade técnica, omissão ou conivência. Somadas, criam esse ambiente de impunidade que a CPI agora  expõe como um lixo que deve ser depurado, antes que todo o entulho  retirado  do esgoto da Secretaria de  Saúde do Amazonas  ganhe o rótulo de "legalidade" sob o manto da prescrição. O criminoso, no caso, não pode ser acionado  judicialmente, porque o Estado perdeu esse direito. Então, prescrição é  um direito do criminoso de não ser   investigado ou punido. 

Pela primeira vez uma CPI fez seu trabalho sem olhar os múltiplos interesses que cercam o poder político. Contribuiu para isso  as reuniões não presenciais  e um certo descuido do governo  Wilson Lima com a força que ela teria, ao enquadrar agentes públicos, copilar documentos, alimentando a sociedade de esperança. 

 Quatro deputados - 4 apenas - fizeram esse trabalho, com dedicação, responsabilidade e espírito publico. O que os órgãos de controle vão fazer com esse documento, que expôs os esqueletos de um serviço de saúde contaminado pela corrupção, não se sabe ainda.  Mas  o que a. CPI  fotografou foi o passado e o presente. Uma  fotografia  manchada de  sangue, dor  e morte, tragédia e crime.   O documento é um libelo contra a impunidade. 

Seus autores  têm nomes: Delegado Péricles,   que comandou com altivez  a Comissão;  Serafim Correa, que levou sua  experiência  de auditor fiscal e apontou vícios em contas e foi cirúrgico nos questionamentos  feitos às testemunhas;    Fausto JR,  que teve a capacidade  de ouvir os colegas e fazer um documento enxuto, e Wilkerr Barreto, sempre ativo nas reuniões da comissão. Há um quinto nome, ausente em quase todas as sessões. Escreveu  sua própria história…

Coluna do Holanda

Coluna do Holanda

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Siga-nos no

Google News

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?