A Câmara Municipal de Manaus terá em 2022 R$ 200 milhões para gastar com pessoal e atividades parlamentares. É muito dinheiro. Este ano, o orçamento foi menor, chegando a pouco mais de R$ 170 milhões e ainda há sobra em caixa.
O presidente David Reis usou de contorcionismos para eliminar a gordura que ficou, com a ideia de construção de um anexo, mas foi barrado pela justiça. Reis não se deu por vencido. Foi engenhoso, criativo. Fez o Legislativo avançar em uma área que é de competência do Executivo: a educação.
Da noite para o dia contratou uma empresa por R$ 6 milhões para fornecer cursos on line.
A pressa do presidente da Câmara Municipal de Manaus tem uma explicação: sobrando dinheiro, ele terá, por Lei, que devolver no final do exercício ao município para ser redistribuído em outras áreas.
É uma lei capenga, que estimula essa euforia por gasto, essa corrida do “ouro" em prejuízo do erário e em afronta aos cidadãos.
Os vereadores de Manaus vão dispor ainda em 2022 de R$ 40 milhões em emendas. Para a educação, "prioritariamente", mas na prática esse mecanismo é um cartão de visita individual, que dá aos políticos de um modo geral - e isso vale para todos os parlamentares das diversas esferas do Legislativo - o poder de se apropriar de um recurso da sociedade: “eu apresentei a emenda", "fui o campeão de emendas”. “Eu dei o dinheiro”.
Se isso não é uma apropriação indevida de um bem da sociedade, o que é então?
Se no Executivo configura improbidade, promoção pessoal e fere o princípio da impessoalidade, por que um vereador, ou deputado ou seja lá que função ocupe no Legislativo, pode utilizar do erário para promoção pessoal? Precisa mudar a Lei? Então que se mude a Lei, porque agora inventaram também um tal de orçamento secreto para sangrar o país e meter a mão no bolso do contribuinte, que afinal é quem paga essa conta.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



Aviso