'Poder Paralelo' dita regras do jogo político nas zonas vermelhas de Manaus

Por Raimundo Holanda

31/10/2020 4h32 — em Bastidores da Política

 

O  combate as organizações criminosas que dominam a periferia de Manaus, espalhando terror e morte, tem passado ao largo do discurso dos candidatos nesta eleição. A razão parece óbvia: para entrar em certas áreas da cidade e fazer campanha eles precisam de uma “autorização”.  

Esse passaporte para chegar ao eleitor é uma moeda de troca, a primeira concessão ao poder politico em formação pelo poder paralelo, e a admissão de que o crime organizado não pode ser superado ou combatido. 

O tema segurança pública, da forma como vem  sendo colocado - encher a cidade de “olhos eletrônicos” - as chamadas câmeras de segurança - é uma piada. Serve para justificar despesas desnecessárias, favorecer amigos e deixar as coisas como estão.

Não há proposta de políticas públicas para a área, uma interação entre Estado e Município, uma busca de saídas que contemple principalmente a educação e ações sociais em zonas “vermelhas” da cidade. 

Falam em polícia, mais polícia. Como se polícia fosse a solução. Não é. 

Os candidatos sabem onde está a massa de eleitores  que pode  decidir uma eleição : na periferia, morando em becos e vielas sob domínio do crime organizado, transformada em moeda de troca nas campanhas eleitorais, escrava do medo e usada pelo sistema politico doentio, submisso, contaminado pela corrupção e pelo vício.