A nova onda de Covid 19 no Amazonas e a desconfiança de Bolsonaro

Por Raimundo Holanda

28/09/2020 20h59 — em Bastidores da Política

  • Com a nova onda, cai por terra a tese de que o Amazonas havia alcançado a chamada "imunidade de rebanho”. Não só era uma farsa, que estimulava a população sair para as ruas e se contaminar, como “limpava a barra” de um governador envolvido no escândalo da compra de respiradores superfaturados. Sob desconfiança geral, o Amazonas vê os recursos para tratar a doença minguarem. Bolsonaro, desconfiado, resolveu não enviar dinheiro, com receio de vê-lo desperdiçado, mas vai mandar 300 mil testes para Covid 19.

O governo do  Amazonas, que vinha represando dados sobre o avanço da Covid 19 no Estado, agora admite uma nova onda.  As medidas anunciadas para deter a pandemia, entretanto, são paliativas.Tem se resumido a fechamento de bares e restaurantes.  Cai por terra, assim, a tese de que o Amazonas havia alcançado a chamada "imunidade  de rebanho”.  Não só era uma farsa, que estimulava a população sair para as ruas e se contaminar, como “limpava a barra” de um governo que foi irresponsável durante o pico da pandemia, que causou 4 mill mortes no Estado, como continuou agindo de forma descompromissada com a saúde da população no período no  qual imaginou-se um controle relativo da doença.  

Na prática, perdeu - se a oportunidade de informar  a população sobre práticas de prevenção. O resultado está aí: o coronavirus voltou com força e o risco de  saturar  o sistema hospitalar é grande.

O governador Wilson Lima tentou buscar recursos em Brasília, mas a desconfiança do governo federal com o governador, acusado de comandar uma organização criminosa que superfaturou respiradores  no auge da pandemia, ainda é grande. Como resposta, o Governo Bolsonaro  deixou claro que não vai dar dinheiro, mas  está  enviando 300 mil testes do tipo RT-PCR para detecção do vírus. Não é quase nada, mas é tudo o que Bolsonaro pôde  dar. O resto fica por conta da sorte de cada amazonense.