Bastidores da Política - Marcelo Ramos deve optar por sair do  PL ou ser engolido pelas feras que estão chegando


Marcelo Ramos deve optar por sair do PL ou ser engolido pelas feras que estão chegando

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

09/11/2021 20h00 — em Bastidores da Política

Não dá para subestimar o presidente Bolsonaro. Mas muitos o fazem por descuido ou  inexperiência com o mundo corrosivo da política. Esses precisam se reinventar. O deputado Marcelo Ramos, crítico do presidente, é um deles. O eventual ingresso de Bolsonaro no PL tem dois efeitos para Marcelo:  ou silencia sobre as peraltices do presidente ou torna-se o patinho feio de uma sigla disposta a abrigar apenas cisnes adultos, capazes de alçar voo sob o comando do capitão e seguindo suas regras.

Marcelo não está acostumado a engolir desaforos, nem caminhar em pântanos. O que Bolsonaro leva para o PL é um pouco de escuridão, pois é no escuro que os fantasmas se revelam.

O incômodo  de  Marcelo é tamanho que expõe  sua fragilidade. A entrevista que concedeu ao programa Roda Viva, da TV  Cultura, revelou  um confuso entendimento do que está sendo desenhado. “A presença de Bolsonaro no PL é incômoda, mas o futuro do país é mais importante que o projeto de qualquer partido”, disse o parlamentar.

O que revelou com essa frase? Que a contragosto ficará no partido porque, apesar de Bolsonaro o que importa é o País?

Há um problema mais visível e mais imediato que Marcelo não percebeu: Bolsonaro não o quer no PL.

O primeiro sinal foi dado pelo pré-candidato ao Senado e ex-superintendente da Suframa, Alfredo Menezes.

- Marcelo é uma imundície de ser humano porque não tem valores. Engana a todos e só quer o poder pelo poder.

Menezes saiu do prumo. Para quem está pleiteando uma vaga de senador, o ataque a Marcelo, além de desproporcional e sem sentido, revela um estado de beligerância que antecede inclusive ao ingresso formal de Bolsonaro na sigla. Mas indica que o presidente está agindo, do modo dele. A natureza dele é essa: humilhar, desestabilizar, destruir seus desafetos.

Marcelo foi colocado  contra a parede. Mas ainda há portas de saídas. A armadilha ainda não foi acionada…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.