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Mais respeito com Manaus


Por Raimundo de Holanda

02/04/2024 20h27 — em
Bastidores da Política


  • A cidade merecia mais, mas não é possível cobrar dos pré-candidatos a prefeito o que eles não têm e, portanto, não podem oferecer.

Uma pré-campanha eleitoral é uma boa oportunidade de discutir os problemas da cidade e acenar com propostas. Mas não é o que se está vendo atualmente em Manaus. Problemas há, mas é escandalosa a falta de percepção dos pré-candidatos e a ausência de compromissos com um eleitorado cansado das guerrilhas pessoais entre postulantes a cargos executivos. Um é chamado de comunista, outro de ladrão, outro de veado, outro ainda de lacaio. E as propostas? Aparecerão depois das convenções partidárias e da confirmação das candidaturas? 

O histórico das eleições dos últimos 20 anos aponta que isso não acontecerá. Que as épocas mudam, mas os políticos, embora de uma nova geração, têm os mesmos vícios e um encantamento com o poder que os cega. 

Manaus merecia mais, mas não é possível cobrar desses postulantes o que eles não têm, e o que não podem oferecer. 

Começa aí o desastre e o comprometimento do futuro de uma cidade olhada como um simples laboratório para experiências malsucedidas, mas que enriquecem uma elite que continua vendendo  para o mundo projetos como o Prosamim - que nem saneia igarapés nem afasta famílias de áreas de risco, mas empodera construtoras amigas.

Comprovadamente, a maioria das moradias construídas pelo projeto na beira de igarapés que o governo diz sanear, foram vendidas com instrumento precário de procuração, os chamados contratos de gaveta. Essas famílias estão em novas invasões, enquanto a cidade incha aumentando demandas por serviços públicos que não podem ser oferecidos. 

Como o poder político é impotente, perde o respeito do cidadão e bairros inteiros acabam dominados pelo crime organizado.

Muitos dirão, em contraponto ao que foi dito aqui neste espaço: que o Prosamim é uma iniciativa  do Estado. Na verdade deveria ser um projeto municipal, de forma organizada, saneando os igarapés e tirando as famílias desses locais, oferecendo moradias em outras áreas, não no entorno de alagados. 

Mas esse é apenas um dos problemas. Manaus concentra muita pobreza, com expectativa de vida beirando os 59 anos. Quem passou dessa idade está no lucro.

Tem um enorme desemprego, principalmente entre os jovens. Precisa de recursos, que se concentram quase todo nas mãos do Estado.

Se o Estado tem a ousadia de invadir a competência do município para abrir avenidas, construir viadutos, levar asfalto para bairros, tudo isso em época de eleição, então é hora de fazer esse dinheiro chegar onde de direito, ao  futuro prefeito que será eleito ou reeleito em outubro.

Como cidade-estado, Manaus merece ser tratada com mais respeito.

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ASSUNTOS: eleições 2024, Manaus

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.