Jair Bolsonaro sempre acusou o PT de se infiltrar nas manifestações de 8 de janeiro que resultaram no badernaço de Brasília. O ex-presidente é um mentiroso contumaz. Como acreditar nele? Mas agora o presidente Lula se manifesta contra a instalação de uma CPMI no Congresso para investigar quem financiou e quem organizou os ataques aos prédios dos Três Poderes. É, no mínimo, estranha a atitude de um presidente que mostrava indignação com os “atos antidemocráticos” e exigia uma apuração rigorosa dos fatos.
Dizer, como vem afirmando Lula, que o próprio governo tem mecanismos para investigar o caso, sem anuência do Congresso, é perigoso, porque a “investigação” resultaria viciada, pendendo para o lado que o governo do PT entendesse conveniente para seu projeto de poder.
A CPMI não é apenas necessária. Ela vai mostrar ao País uma verdade ainda escondida ou maquiada, ou desequilibrada pela ação vigorosa mas unilateral e sem direito ao contraditório do Poder Judiciário. Mais: com essa proposta, Lula beneficia quem? Bolsonaro, que começa a aparecer como vítima de uma suposta armação de golpe, que ele, em tese, não teria tramado.
Mais grave do que os acontecimentos de 8 de janeiro é essa tentativa de mudar o curso de uma investigação que começou com o Supremo no Inquérito dos Atos Antidemocráticos.
O governo do PT sabe que quando a coisa chega no Congresso os riscos são altos –todo o lixo do passado e do presente vêm à tona e o naufrágio é inevitável. O PT não aprendeu com a CPI do mensalão, a CPI dos Correios, a CPI dos Cartões Corporativos que mancharam os três primeiros governos do Partido dos Trabalhadores – dois com Lula e um com Dilma.
A CPMI depende de 171 assinaturas de deputados e 27 senadores para ser instalada. Tem 180 na Câmara e 30 no Senado. Mas Lula trabalha para inviabilizá-la. O que o presidente teme. Mistérioooooo...
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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