O governo Bolsonaro acabou e, ao que parece, nada vai restar dele, a não ser a ideia, agora muito clara, de que foi um momento ímpar na história do Brasil: de retrocesso político, de mentiras e uma corrupção que rolava nos bastidores em negócios bilionários, como os acordos nebulosos com o Fundo Soberano da Arábia Saudita. Não importa quanto os árabes prometeram investir no Brasil – mas a cifra, fora a compra da refinaria Landulpho Alves, na Bahia, foi de 10 bilhões de dólares.
É normal que governos firmem acordos e se comprometam a fazer investimentos. O que não é normal é o presidente de um País receber mimos milionários como joias no valor de R$ 16 milhões sem uma justificativa republicana, a não ser a velha prática do toma lá dá cá, tão comum nos governos anteriores e que se repetiu com Bolsonaro.
O senador Omar Aziz, que foi o principal algoz de Jair durante a CPI da Pandemia e tirou das sombras tentativas de comprar vacinas superfaturadas - suspeita que as joias fazem parte de negócios escusos. Suspeita, não afirma, por isso vai investigar a fundo, como presidente da Comissão de Transparência, Governança e Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor, se há maracutaia no negócio.
A CTFC era uma comissão como outra qualquer, mas com Omar ela ganha um outro status e se tornou tão importante que já preocupa o próprio governo Lula.
Por duas razões: Omar é obsessivo, investiga, colhe provas e tem à disposição um grupo de técnicos preparados para esse tipo de investigação.
Não apostem que não vai dar em nada. Omar já mostrou como age, como lidera uma comissão e como mobiliza a máquina do Congresso para dar respostas à sociedade.
Bolsonaro corre um sério risco de terminar sua carreira política de forma melancólica, usando uma pulseira de metal com duas argolas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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