O governador Omar Aziz não disse que ficará até o final do governo ou que estaria fora do processo eleitoral do próximo ano. Nem deve dizer até que as peças estejam devidamente posicionadas num tabuleiro onde as regras são estabelecidas por ele.

Omar é por natureza um jogador e como tal não revela o próximo lance. Ainda no comando de tabuleiro político, onde maneja as peças a seu bel- prazer (vide a decisão do prefeito de Manacapuru, Washington Régis, de renunciar) o jogo aponta para um outro desfecho: Omar candidato ao Senado, José Melo ao Governo e o enfraquecimento das bases do senador Eduardo Braga no Interior do Estado.
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Mas Omar pode estar fazendo um outro jogo: o de mostrar para o senador Eduardo Braga, por enquanto o grande favorito ao governo do Estado, que ele é capaz de manejar de tal forma as peças posicionadas estrategicamente no tabuleiro que pode mudar os rumos da eleição de 2014 . E mais que isso: minar o favoritismo do senador. Com isso, estaria atraindo Braga para o tatame. Para quem espera uma luta entre eles, pode acabar assistindo a sorrisos e abraços, numa inevitável recomposição de forças.
QUEM VOTA NEU?
"Chega de seguir a reboque". Foi a frase de ordem no encontro do PT, que tem eleições marcadas para esta segunda semana de novembro, e no domingo fez uma prévia para sentir as tendências dentro do partido. Em dado momento do encontro, o irrequieto Sinésio Campos não resistiu e fez uma enquete por aplausos. Quando perguntou “quem vota em mim?” se deu mal, quase não teve aplausos. Mas viu que tem companheiros de amargura, pois nem José Ricardo, com quem vive trocando farpas e nem Barroncas conseguiram superá-lo.
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Restou assistir o companheiro Valtair liderar os aplausos com a força maciça das mulheres petistas. Durante o encontro, Sinésio e Ricardo mal se olharam. E todos os candidatos prometeram um PT independente, lançando candidatura própria ao governo do estado.
COMPANHEIROS COM FOME
Ainda falando em PT, o partido de Lula e Dilma enfrenta um dilema em todo o país. O apetite voraz dos “companheiros” por cargos nos governos criou uma massa de insatisfeitos dentro do maior aliado, o PMDB. Os antipetistas já são mais de 50% dos votos na convenção nacional do partido e estão a postos para definir que aliança se fará em 2014. No Amazonas, a gula petista arruinou a administração de Antonio Peixoto, em Itacoatiara, e agora ameaça a prefeita Lindinalva, em Novo Airão.
ENTRE A CRUZ E A CALDEIRINHA
Em janeiro de 2004, Sidney Leite era prefeito de Maués e presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), período de muita lamentação dos colegas gestores do interior, que precisavam decidir em pagar o 13º salário de 2003, ou os fornecedores. Numa entrevista, Sidney disse que pelo menos 90% das prefeituras deviam a fornecedores e a situação era pior nos municípios menores e mais distantes da capital.
UM DIA ACABA
“Antes da Zona Franca havia uma pequena indústria de refrigerante em Maués e Itacoatiara, fábrica de tecelagem em Manacapuru e Parintins, pequenas indústrias, geração de emprego e renda, enfim. A Zona Franca é um modelo centralizador”, disse, acrescentando: “Não sou contra a Zona Franca, mas um dia esse modelo acaba. Temos de interiorizar o desenvolvimento”.
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Nove anos depois, Sidney Leite é deputado estadual, a ZFM depende do Congresso para sobreviver até 2073, ao mesmo tempo em que vem perdendo algumas vantagens e os prefeitos sempre têm algum motivo para reclamar.
E SE A DILMA DISSER “NÃO”?
Começou a semana de tensão no meio político, à espera desta quinta-feira 7, quando a presidente Dilma Rousseff dirá se concorda ou não com a criação de municípios no país. Em outubro, o Congresso Nacional aprovou a lei complementar 416/2008, que estabelece critérios e permite a criação de mais municípios, mas a presidente é quem tem o poder de vetar ou aprovar. O Amazonas, com 1,5 milhão de quilômetros quadrados e apenas 62 municípios, tem chance de aumentar esse número e a euforia é grande, diante de tal possibilidade, que muitos consideram concreta. Por isso, quinta-feira é um dia esperado com muita expectativa. Se a presidente discordar do Congresso e vetar a lei, haverá muito chororô, embora a ideia não tenha saído da cabeça presidencial (como foi o caso da promessa de prorrogar a Zona Franca de Manaus por mais 50 anos). Então, só resta aguardar a quinta-feira chegar .
BATATA QUENTE NAS MÃOS DE ARTU R
O prefeito Artur Neto vai ter mais uma batata quente nas mãos. O Sinetram recebeu ontem um ofício do Sindicato dos Rodoviários marcando paralisação no dia 8 na empresa Global Green e no dia 12 de novembro em todas as empresas. Os rodoviários querem o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados dos anos de 2008 a 2010 e pela compensação de horas extras. Os patrões dizem que a PLR está sub judice, e que a compensação de horas é legal, mas é opcional das empresas, sendo que atualmente não é praticada.
FLORES PARA A ALEAM
O presidente da comissão de licitação da Aleam, Agnaldo Alves Monteiro, vai realizar pregão presencial para registro de preço dos itens: coroa de flores, refeições e bufê, assim como açúcar, café, leite em pó, adoçante líquido, achocolatado e chá. Ganha que tiver o menor preço.
CASO DE POLÍCIA
A má qualidade dos serviços de internet e de telefonia está mesmo virando caso de polícia. Nesta segunda-feira,4, em depoimento à CPI que invstiga a situação, o representante da Polícia Civil, Joedi dos Santos Auzier, afirmou a ausência de comunicação dificulta o trabalho policial. Pior mesmo é a queixa de Auzier sobre os técnicos da operadora Oi, que demoram e, na maioria das vezes não resolvem o problema.
ORÇAMENTO 2014
Está garantida para esta terça-feira, dia 5, a inclusão na ordem do dia da Câmara Municipal de Manaus, a proposta orçamentária do município para o próximo exercício. Quem deu a garantia foi o presidente do Legislativo municipal, vereador Bosco Saraiva (PSDB). O prefeito de Manaus, Artur Neto, deve gerir um montante superior a R$ 4 bilhões em 2014.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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