O vídeo que mostra sua chegada em maca em um hospital da região de Ceilândia é parte de um enredo, (de uma história de execução sumária), apenas para atenuar o impacto legal, já que a opinião pública queria mesmo a morte do serial killer.
Foram 38 disparos, dos quais três de fuzil na cabeça. Uma troca de tiros? Improvável. Mas a caçada era uma exigência da sociedade, cansada do terror que ele praticava, das execuções que ele fez, do terror que ele plantou.
"CPF cancelado", como postou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que só faltou imitar o ex-governador do Rio, seu arqui-inimigo Wilson Witzel, com vários tiros na “cabecinha”.
Festa no interior de Brasilia, Ceilândia, a cidadezinha onde Lázaro estava escondido numa vila conhecida como “Águas Lindas”, palco de um cerco de 250 policiais sobre um único homem, com fama de ser protegido pelo diabo.
Homens como Lázaro - que existem aos montões e quase ninguém suspeita deles - deveriam ser mortos mesmo. Mas depois de julgados, condenados por um júri e sentenciados.
Faz falta a pena de morte no Brasil, pois a ausência de uma legislação mais dura estimula as repetidas execuções nas favelas das grandes cidades e os linchamentos que presenciamos todos os dias. O que isso produz? Mais criminosos, só que protegidos pelo argumento de terem feito justiça com as próprias mãos. Continuarão matando, porque a experiencia de matar é macabra e historicamente se repete...
Na prática, falta apenas oficializar essa pena, banida do ordenamento jurídico brasileiro há mais de 150 anos. Só valia para negros que ameaçassem seus “senhores”. Deveria valer para todos - para quem mata por instinto assassino, mata por incapacidade de liderar um povo e protegê-lo de uma pandemia, mata porque não admite que a mulher é livre para escolher o parceiro que desejar, ou mata porque faz esquema para compra de respiradores ou de vacina destinados a salvar um povo contra o mal do século - a Covid 19.
Mas nenhum desses criminosos merecia fim semelhante ao de Lázaro, sem antes passar por um júri popular e ser sentenciado por um juiz.
O direito à vida e a um julgamento justo, afinal, não é uma simples frase. É um direito constitucional. Mas vivemos em um país onde nem as autoridades respeitam a Constituição e a vida do seu povo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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