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Sikêra Jr e a tentativa da Burger King de vender hambúrgueres e diversidade sexual

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Por Coluna do Holanda
28/06/2021 00h07 — em Coluna do Holanda
Sikêra Jr e a tentativa da Burger King de vender hambúrgueres e diversidade sexual
Sikêra Jr e a tentativa da Burger King de vender hambúrgueres e diversidade sexual
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A campanha de Burger King pela diversidade sexual é bem feita, explicativa, mas elaborada para causar polêmica. Para uma empresa que quer vender hambúrgueres, frango, batatas fritas, refrigerantes, milkshakes, saladas e  sobremesas, a escolha do público alvo é que parece equivocada. Quem consome cachorro-quente é o adulto…

Evidentemente que há crianças filhas de casais homossexuais, adotadas ou não, que podem falar de experiências ou convivência que se revelam naturais e benfazejas. Não há o que recriminar quanto a isso. Mas é uma minoria…

A publicidade chocou exatamente pela simplicidade com que foi feita, e isso pode parecer uma contradição. É simples porque são as crianças que falam, com o sentimento delas, sem decoração  de texto. Mas é uma experiência particular que não poderia estar inserida em um contexto maior, de compartilhamentos, como se tudo fosse natural. Não é.

Gays e lésbicas enfrentam a violência, a discriminação todos os dias. Não é natural para os que se autodenominam héteros a homossexualidade. Os gays sabem disso e sofrem com isso. O que explica a reação ao comercial.

Taí o Sikêra Jr abrindo o verbo, da maneira dele, sem pontos nos ís e fora da curva. Mas em um ponto ele tem razão.

A sexualidade não é só um conceito, é relação, é prazer, vida , descoberta, o que as crianças encontram sozinhas, à medida em que aprendem e crescem.

Já era uma grande polêmica a inserção no ensino fundamental da disciplina "educação sexual”. Isso no meu tempo de  estudante, matéria extirpada do currículo escolar por interferência da igreja anos depois.

Ademais, colocar  meninos e meninas como protagonistas de um comercial polêmico é uma exposição indevida de indivíduos sob proteção do Estado, amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que está em vigor.

“Menino gosta do menino”, diz uma das crianças. Outra diz que "a criança pode viver o mundo de outro jeito”;  outra ainda que "todo mundo pode gostar de todo mundo".

É verdade. A mensagem é linda, não fosse a sexualidade envolvida no comercial. Se garotos não se gostassem, se meninas não se gostassem, se a toda criança não fosse dado o direito  de viver e ver o mundo de outro jeito, não haveria amizade, e teríamos perdido nossa humanidade.

O problema é que tudo nesse comercial passa ao largo da multiplicidade de relações aceitáveis ou não, que tenta promover erroneamente.  E leva ao sexo.

Não atinge seu objetivo que é o de promover a diversidade e minar o preconceito. Provocou uma onda de ódio aos gays, de ofensas repetidas aos milhares, enquanto os  Sikêras se multiplicaram aos milhões nas redes sociais. Triste.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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