
Os deputados que compunham a mesa diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas na administração Ricardo Nicolau foram literalmente colocados contra a parede. Ao confessarem que não participaram da reunião que aprovou aditivo ao contrato do edifício garagem - de alguma forma se incriminaram. No mínimo, poderão ser acusados de omissão ou conivência com eventuais erros cometidos por Nicolau. Atos isolados do presidente são considerados nulos. Empenhos ou pagamentos têm necessariamente que contar com a chancela do secretário - geral, que no caso era a deputada Vera Castelo Branco.
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Na era Nicolau grandes obras foram realizadas, atos publicados no Diário Oficial da Assembleia Legislativa. E ninguém da mesa diretora sabia ? Dizer que o deputado agiu isoladamente é assumir uma criminosa omissão.
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O caso Nicolau virou um castelo de cartas que pode ruir a qualquer momento. Se Nicolau cair desmorona o castelo e sobrarão poucos deputados para contar a triste história do destino dado um dinheiro que muitos deles sequer imagina que sai do seu bolso.Do seu, leitor.
AS LINHAS QUE BRAGA PRECISA PRA COSTURAR OS REMENDOS
O senador Eduardo Braga ainda surfa na liderança da corrida majoritária, mas já sente o peso do desgaste que começou com a imposição do nome da camarada Vanessa como candidata a prefeita na chapa do governo. Os dois perderam feio para o tucano Artur Neto.
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Braga tenta costurar uma aliança que tenha grande chance de vencer. Até agora, o senador só conta mesmo com um aliado que já foi forte, mas está com a vida política “comprometida”. Os demais, até Vanessa, são coadjuvantes de papéis secundários. Braga precisa carimbar um nome para selar a chapa, mas como fez “malvadeza” com os próprios aliados, vai precisar de muita linha pra costurar os remendos.
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Está quase na situação de um velho político paraibano que apesar do prestígio, desistiu da candidatura. Um amigo perguntou por que, e ele disse que só entraria pra ganhar. E concluiu: “Você já viu alguém ter destaque na derrota? Segundo lugar é nada, simplesmente você perdeu”.
A GARAGEM DA DISCÓRDIA E A COPA 2014
No dia 15 de janeiro deste ano, a Assembleia Legislativa do Amazonas acertou e divulgou com pompa e honra que, para os jogos da Copa do Mundo de 2014, as 500 vagas do seu edifício-garagem ficariam à disposição dos organizadores. Com mais 450 do antigo estacionamento, a Copa contaria com 950 vagas cedidas pelo Poder Legislativo. Tudo acertado com o presidente da Casa, Ricardo Nicolau (PSD) e o coordenador do Projeto Copa (UGP Copa), Miguel Capobiango. O edifício-garagem, de cinco andares, um investimento de R$ 23,5 milhões, foi inaugurado em 31 de janeiro, último dia de Nicolau no cargo.
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Mas depois disso o céu escureceu com as denúncias de superfaturamento da obra, Nicolau foi descendo a ladeira e nem seus pares parecem dispostos a ampará-lo. Obviamente, não há motivo para o acerto não ser levado a cabo, até pelo bom motivo de a Assembleia Legislativa ser integrante do Plano de Mobilidade Mundial para os jogos na Arena da Amazônia. O risco é aparecer gente cheia de pudor ou até superstição, para imaginar que deixar o carro num lugar com esse histórico (não falta gente torcendo pela cassação do mandato de Nicolau), pode dar azar. Superstição é o que não falta no mundo do futebol.
DESVIO DE RECURSOS? É CONVERSA FURADA
Em maio de 2010, Amazonino Mendes, então prefeito, reuniu a imprensa para anunciar um pacote de obras na cidade. Na ocasiões, havia denúncia de contratos milionários de duas empresas, encarregadas de fazer os serviços de recuperação das ruas de Manaus. Dizia-se que um contrato era de R$ 69 milhões e outro de R$ 42,9 milhões. Não teve como se livrar das perguntas sobre o caso, mas não passou recibo. “Essa história de 40 milhões é conversa furada. Temos milhares de fotografias para mostrar e provar o que fizemos, cada gota de asfalto que colocamos”.
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E mais não disse nem lhe foi perguntado sobre o assunto. Amazonino, sabem bem os jornalistas que já o entrevistaram, costuma achar que ele tem todas as respostas e ninguém precisa perguntar nada. O que ele falar é o que deve ser escrito.
O LEÃO E A LIBÉLULA
A jornalista amazonense Alessandra Karla Leite lançou seu livro de estreia como escritora neste sábado, na Livraria Valer (centro da Cidade). O Leão e a Libélula é a primeira obra de Alessandra, nascida no município de Maués, com a experiência de repórter em alguns jornais de Manaus. Vários jornalistas foram prestigiar a colega, dentre eles Wilson Nogueira, também escritor.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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