A campanha eleitoral não começou bem. Um vídeo criminoso circulou pelos grupos de WhatsApp explorando a mobilidade do ex-governador Amazonino Mendes. Criminoso porque cheio de cortes, mostrando o que convém para desconstruir um homem que não se rendeu ao envelhecimento e que mantém uma invejável capacidade de olhar e projetar o futuro.
Amazonino pode ser criticado pelo que fez ou deixou de fazer em seus quatro governos, mas não por ter envelhecido. Não por desafiar o tempo, o que lhe permite compartilhar experiência e sonhos.
Não se sabe quem produziu a montagem das cenas nas quais Amazonino aparece protegido por amigos. É evidente que a mobilidade de Amazonino é parcialmente comprometida, mas não sua lucidez. E esta, tão importante para o debate eleitoral, não parece interessar aos seus adversários.
Não foi menos chocante o vídeo também distribuído em massa nos grupos de WhatsApp, atribuindo ao governador Wilson Lima todos os males da pandemia de Covid 19. A seu favor o governador poderia dizer que estava dentro dos hospitais quando todos os eventuais adversários se ausentaram do Amazonas. Que seus erros foram tentativas frustradas de acertos, do improviso, do mau aconselhamento e do desespero do momento.
O uso da palavra genocida, utilizada pelos que produziram o vídeo, é desproporcional. E é também uma agressão, um pré-julgamento perigoso porque expõe redes de intolerância que, se não forem contidas, poderão comprometer o processo eleitoral, na medida em que desinformam, fomentam a discórdia e são uma arma poderosa contra a democracia.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


Aviso