Há muitas pedras e mãos dispostas a jogá-las, em nome da honra, em alvos fragilizados por acontecimentos para os quais foram empurrados - menos pelo desejo de poder e mais pela afeição a filhos (e mulheres ou maridos). Esse poder da família sobre nossos atos é imenso. Leva-nos a erros, a medidas que consideramos adequadas, sem atentar para seus riscos.
CNJ afasta juiz e desembargador do Amazonas
A história mostra que muitos caíram e se perderam pelo caminho por amor...
É o momento em que não pensamos. Agimos por impulso em nome do sangue (e das emoções).
Um juiz, um jornalista, um parlamentar, um professor, um comerciante - nada os diferencia quando é o filho (ou a mulher - marido) que está à sua frente, com argumentos para os quais ninguém possui armas, além da afeição.
Ah, mas um juiz tem como guia a lei - podem repetir isso mil vezes - mas é pai, debruçado sobre uma causa que essa mesma lei, cheia de vícios, legitimada pela Suprema Corte, permite que ele julgue, mesmo quando do outro lado está o filho ou o escritório de advocacia do qual faz parte.
Se a lei permite que um juiz julgue a causa onde o filho (ou a mulher, marido) é parte, como advogado, então essa lei corrói a isenção e legitima a parcialidade.
Não atire pedras no desembargador Elci Simões. Ele também é vítima..
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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