Os políticos, ou parte deles, começaram a montar cenários para as eleições do próximo ano. Por enquanto conversam, fazem pesquisas, avaliam os elementos de composição e o valor eleitoral de cada personagem num tabuleiro onde o jogo claramente não tem regras.
Há um clima de conspiração e rompimento no ar, e avaliações equivocadas de capital eleitoral que não pode ser medido em tempo de polarização, em que o eleitor pensa mais, avalia mais e faz escolhas surpreendentes.
A disputa para o Senado será uma das mais difíceis. O senador Eduardo Braga (MDB), candidato à reeleição, continua dependente dos votos do interior para se reeleger.
Nas eleições de 2018 obteve 407.202 votos nos municípios, o dobro de sua votação em Manaus : 200.004.
Nessa mesma eleição (2018), por muito pouco Braga não perde a vaga para Luiz Castro. Veja quadro abaixo:
Mesmo que dobre o número de votos na Capital, ainda vai depender do desempenho no interior, o que pode inviabilizar sua aliança com o prefeito David Almeida, caso este decida disputar o governo.
A razão é simples: um eventual apoio de Eduardo a David coloca imediatamente o senador Omar Aziz (PSD), que também almeja disputar o governo, em posição oposta a Braga, minando o prestígio eleitoral do emedebista junto a prefeitos e apoiando um candidato de seu time ao Senado.
A força de Omar Aziz é maior junto aos prefeitos porque ele dispõe ainda de 4 anos no Senado, um grande prestígio no governo Lula, levando investimentos para os municípios, enquanto Braga luta para manter a vaga de senador.
Ter Omar fora do time é provavelmente um risco que Eduardo Braga não quer correr. Mas o senador é muito previsível. Sempre se sabe de antemão o que ele vai fazer e as encrencas nas quais se mete.
OBS:
São duas vagas ao Senado, com o fim dos mandatos de Eduardo Braga e Plínio Valério (PSDB). E muita gente nova, com capital eleitoral formidável, entrando na disputa.
O próprio Plínio vem crescendo junto ao eleitorado de direita e tem chances claras de reeleição. Alberto Neto, Coronel Menezes e o governador Wilson Lima, entre outros, são nomes que devem ser considerados como força eleitoral. Não vai ser fácil para ninguém..




Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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