Assisti aos vídeos da delação do Tenente Coronel Mauro Cid e percebi que ele, de certa forma, disse o que o ministro Alexandre de Moraes queria ouvir. Sob ameaça de prisão, afirmou a existência de fatos que pareceram, mesmo aos ouvidos dos mais leigos, meras suposições, o que não significa que tenha deixado de dar informações reais. Cabe à defesa do ex-presidente contestá-las. Mas, no geral, pouca prova além das palavras do ex - ajudante de ordem. Isso ajuda Bolsonaro? Diria que não.
O STF está politizado e essa politização minou sua isenção. Se o caso for levado ao plenário, com ampla cobertura da imprensa e os olhos atentos da sociedade, pode ser que ao final do julgamento parte da delação seja desconsiderada e o ex-presidente sofra uma pena menor do que alguns juristas estão projetando.
A quebra do sigilo da delação por Moraes apenas deixou a impressão dessa falta de equilíbrio do sistema de justiça. Foi uma evidente forma de mobilizar a opinião pública num julgamento difícil sob todos os aspectos.
O que está em jogo, mais do que a imagem já desgastada de Bolsonaro, é o futuro de uma corte que tem se excedido, confundindo seu papel e avançado sobre prerrogativas de outros poderes.
Há um risco iminente de uma maior polarização, com interferência externa - que o ministro Alexandre de Moraes, de forma imprudente, vem fomentando.
O fato de ter determinado que Elon Musk, hoje alto colaborador do governo norte-americano e dono do X, pague uma multa de R$ 8,5 milhões por descumprimento de decisão judicial no inquérito que investiga o blogueiro Alan dos Santos, não sairá barato.
Primeiro, porque Alan está nos EUA e tem a proteção do governo Trump.
Segundo, o que vale em relação ao que posta é a 1a Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que faculta ampla e irrestrita liberdade de opinião. Então, a ingerência da autoridade brasileira, na visão das autoridades norte-americanas, é indevida.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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