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Apagão de energia em Manaus vai se repetir porque o que menos importa são os consumidores

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Por Holanda
28/12/2021 23h37 — em Coluna do Holanda

Se o apagão prologando em Manaus afetou a vida das pessoas, ele se insere num contexto maior: o de que as privatizações de serviços essenciais não podem ser decisão unilateral dos governantes. Devem ser discutidas exaustivamente com a sociedade. Não podem continuar sendo um negócio entre amigos, avalizado por um Legislativo pouco representativo. 

O temporal de segunda-feira em Manaus, com ventos de mais de 60 quilômetros por hora, provocou um efeito devastador na vida de muitos manauaras. Fora os telhados arrancados e árvores que caíram por toda a cidade, semáforos desligados e ruas alagadas, a falta de energia isolou centenas de moradores de prédios de apartamentos, que ficaram  sem elevador e sem contato externo.

Descer escadas a partir do quinto andar foi uma penosa experiência, especialmente para idosos e crianças.

Mais a falta de energia foi prolongada. Pequenos comerciantes viram seus investimentos serem transformados em lixo. Como protesto, alguns jogaram frangos estragados e carnes em frente ao prédio da concessionária de energia.

O Procon ameaçou a empresa com multa.

A resposta da Manaus Energia foi lenta, embora o temporal tenha feito estragos longe da previsibilidade de qualquer empresa. Mas o fato de não haver uma rápida comunicação com os consumidores é erro que tem consequências. Tira da concessionário o crédito, já escasso, com os amazonenses que desconfiavam da privatização e da  propaganda oficial de que os serviços melhorariam. Não melhoraram.

Se o apagão prologando afetou a vida das pessoas, ele se insere num contexto maior: o de que as privatizações de serviços essenciais não podem ser decisão unilateral dos governantes. Devem ser discutidas exaustivamente com a sociedade. Não podem continuar sendo um negócio entre amigos, avalizado por um Legislativo pouco representativo.

Manaus padece desse mal crônico. Do serviço de água, privatizado com deságio e facilidades para grandes grupos econômicos  - que na prática se apropriaram de bens públicos, inclusive de uma estrutura na Zona Leste, bancada com dinheiro do contribuinte, ao fornecimento de energia.

A vigarice começou com a construção de Balbina, vendida para os cidadãos como a grande saída  para baratear o custo da conta de luz e abastecer todo o distrito industrial. História, trapaça mesmo. O resultado todos conhecem…

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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