Se o apagão prologando em Manaus afetou a vida das pessoas, ele se insere num contexto maior: o de que as privatizações de serviços essenciais não podem ser decisão unilateral dos governantes. Devem ser discutidas exaustivamente com a sociedade. Não podem continuar sendo um negócio entre amigos, avalizado por um Legislativo pouco representativo.
Apagão de energia em Manaus pic.twitter.com/yzPitKUYTW
— Portal do Holanda (@portaldoholanda) December 29, 2021
O temporal de segunda-feira em Manaus, com ventos de mais de 60 quilômetros por hora, provocou um efeito devastador na vida de muitos manauaras. Fora os telhados arrancados e árvores que caíram por toda a cidade, semáforos desligados e ruas alagadas, a falta de energia isolou centenas de moradores de prédios de apartamentos, que ficaram sem elevador e sem contato externo.
Descer escadas a partir do quinto andar foi uma penosa experiência, especialmente para idosos e crianças.
Mais a falta de energia foi prolongada. Pequenos comerciantes viram seus investimentos serem transformados em lixo. Como protesto, alguns jogaram frangos estragados e carnes em frente ao prédio da concessionária de energia.
O Procon ameaçou a empresa com multa.
A resposta da Manaus Energia foi lenta, embora o temporal tenha feito estragos longe da previsibilidade de qualquer empresa. Mas o fato de não haver uma rápida comunicação com os consumidores é erro que tem consequências. Tira da concessionário o crédito, já escasso, com os amazonenses que desconfiavam da privatização e da propaganda oficial de que os serviços melhorariam. Não melhoraram.
Se o apagão prologando afetou a vida das pessoas, ele se insere num contexto maior: o de que as privatizações de serviços essenciais não podem ser decisão unilateral dos governantes. Devem ser discutidas exaustivamente com a sociedade. Não podem continuar sendo um negócio entre amigos, avalizado por um Legislativo pouco representativo.
Manaus padece desse mal crônico. Do serviço de água, privatizado com deságio e facilidades para grandes grupos econômicos - que na prática se apropriaram de bens públicos, inclusive de uma estrutura na Zona Leste, bancada com dinheiro do contribuinte, ao fornecimento de energia.
A vigarice começou com a construção de Balbina, vendida para os cidadãos como a grande saída para baratear o custo da conta de luz e abastecer todo o distrito industrial. História, trapaça mesmo. O resultado todos conhecem…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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