O ex-governador Amazonino Mendes foi diagnosticado há duas semanas com Covid. A notícia se espalhou rapidamente. Houve quem divulgasse o boato de que ele estava entubado. Falsa notícia. Amazonino está bem. Por conta da idade – 83 anos – é atacado visceralmente por adversários que sonham com sua morte. É um comportamento que embute preconceito, cancelamento e arrogância. Mas também medo do homem que envelheceu com dignidade, da sua importância politica, do seu legado, do peso do seu nome.
As vezes me pergunto por que Amazonino está demorando a usar em favor dele o fato de ser velho, em desconstruir o discurso etário de quem não respeita a velhice nem se dá conta que esse é o destino dos vencedores.
Para envelhecer é preciso construir pontes e atravessá-las, sair ileso de batalhas, vencer doenças, caminhar como quem procura, a cada dia, mudar o mundo.
Pessoas como Amazonino – na idade dele – são vencedoras.
Joe Biden, presidente dos EUA, tem 79 anos; o Papa Francisco, 85 anos, todos lúcidos, com uma larga experiência de vida a ser compartilhada.
Não estou defendendo Amazonino, nem dizendo que vou votar nele. Estou dizendo que ele é um vencedor, que há uma história que ele construiu em torno de seu nome.
Estou dizendo que não é por ser velho que ele está inabilitado. Estou afirmando que ser velho é o melhor dos mundos – porque somente os velhos venceram muitas batalhas. E porque não se deixaram vencer, nem pelo cansaço nem pelo preconceito daqueles que vão envelhecer e ainda não aprenderam a respeitar os mais velhos.
Quem quiser vencer Amazonino tem de ser melhor que ele, ou apresentar projetos, apontar o futuro, incluindo inclusive uma geração que está envelhecendo sem aprender o que é a velhice.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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