No período de 4 anos (2018 a 2022), o número de suicídios no Amazonas somou 1.386, mais da metade das mortes ocorridas em acidentes de trânsito (2.070).É um número alto e preocupante, especialmente porque trata-se de um grupo onde predominam rapazes e moças de até 25 anos. Se nas ruas há uma guerra no trânsito, com acidentes fatais tirando a vida de jovens, especialmente homens, o que leva uma pessoa a tirar a própria vida é consequência de frustrações, que começa em casa na relação pais e filhos.
Claro que há outras razões, que precisam ser estudadas. Mas há um estranho silêncio sobre essa tragédia, uma cumplicidade que envolve famílias, amigos e autoridades.
A imprensa não divulga suicídios porque há entendimento, a meu ver equivocado, de que uma notícia relacionada a autodestruição da vida estimula outras pessoas a praticarem o mesmo ato. Assim, a sociedade coloca debaixo do tapete um problema que deveria ser discutido exaustivamente e avaliadas suas causas.
Os números estão aí, revelando que o silêncio é ruim. Escancarar o problema talvez ajude as pessoas a compreender melhor o sentido da vida, e que o sofrimento e as frustrações são desafios que podem ser superados.
O dia seguinte tem que ser buscado como um desafio permanente. E mais: a busca do envelhecer é dar à vida presente, especialmente entre os jovens, um sentido. Porque envelhecer é próprio da natureza humana e só envelhece quem vence os desafios que a juventude impõe - desejos não realizados instantaneamente, a busca do amor e da felicidade que nem sempre estão em nossas mãos, mas que podem ser conquistados com fé, com persistência, com a coragem que falta a muitos jovens.
Cabe a cada um da nós mostrar caminhos. Cabe aos governos a criação de sistemas de apoio. Cabe às escolas evitar, de forma agressiva, bullying e cabe a cada família orientar seus filhos a respeitar o outro, a saber conviver com o outro.
Os suicídios, mais do que os homicídios, são a prova mais cabal de nosso fracasso como pais, como família, como sociedade.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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