Os viadutos em Manaus parecem naves abatidas sobre uma cidade que não para de ser mutilada. A chuva deste domingo mostrou isso. Os viadutos não foram feitos para desafogar o trânsito, mas para criar a falsa ideia de progresso. As alças terminam em ruas estreitas, entrecortadas por outras, embaralhando o trânsito já caótico.
Num primeiro momento fica claro que se houve planejamento na construção, foi outro que não aquele que interessava à cidade, ao cidadão, ao contribuinte, mas aos agentes públicos e as empreiteiras.
Num dia de chuva forte, a água desce das alças e se acumula lá embaixo. É inevitável o transtorno para motoristas e pedestres.
A culpa em grande parte é do contribuinte. Ele vê esse tipo de obra como resultado do progresso, de medidas destinadas a evitar o congestionamento em áreas de tráfego intenso. E em parte tem razão.
O erro é não controlar os gastos e engolir a história de que este ou aquele governante está fazendo obras de interesse público.
Mas quase sempre é uma maquiagem para justificar gastos e se apropriar de recursos que passa ao largo dos órgãos de controle, muitos deles de olhos bem fechados.
Como o cidadão pode controlar isso? Votando e votando bem nas próximas eleições e nas próximas mais próximas ou distantes . Cobrando de quem governa, exigindo que as prestações de contas ocorram de forma aberta e sejam mensalmente disponibilizadas para acesso de qualquer pessoa, de forma simples, direta.
É uma forma de compartilhar a governança com a sociedade diretamente, porque o poder que poderia fazer isso (e seus órgãos auxiliares), ou foi cooptado ou vem vergonhosamente se omitindo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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