O PSDB é um partido nascido a partir da conjunção de ideias de avanços sociais e liberalismo econômico. Arthur Virgilio estava lá, quando o então PMDB cindiu em 1989 para formar o Partido da Social Democracia Brasileira. O ex-prefeito de Manaus é uma das poucas referências de uma época de avanços democráticos, de estabilização da moeda, de conquistas sociais.
O Estatuto do PSDB é avançado, aberto, democrático. As decisões tem que ser colegiadas. Ninguém, em tese, pode alijar um membro que deseje ser candidato. Arthur defendeu esse ponto de vista, ao praticamente impor a realização de prévias pelo PSDB nacional para a indicação do candidato à presidência da República, das quais participou e perdeu. Isso não vale para os postulantes ao cargo de governador do Amazonas ?
Portanto, causou estranheza a fala de Arthur, de fechar as portas do PSDB para o senador Plínio Valerio na convenção que vai escolher o candidato do partido a governador do Amazonas nas eleições de outubro, violando uma regra básica do estatuto partidário.
Arthur pode dizer qual o nome de sua preferência, mas como democrata não pode se opor a que um senador do partido coloque o nome para avaliação dos delegados, que são os eleitores que escolhem o candidato em convenção partidária.
Arthur assumiu um protagonismo que não tem ao descartar Plinio, porque não é o “dono” do PSDB. E também não pode, sem ouvir os delegados e filiados, oferecer o agremiação a Amazonino Mendes para disputar o governo.
É inegável o peso de Arthur, seu passado limpo, sua história como parlamentar, seu legado como prefeito da cidade de Manaus. Mas Arthur não pode esquecer que sua história foi moldada por lutas pela democracia, pela liberdade, pelo direito de ouvir e ser ouvido, por gestos que marcaram sua vida - como estender as mãos e admitir erros quando errava, de recuar quando percebia que o direito do outro ou de outros poderia ser comprometido.
Arthur é afoito, impulsivo, imprevisível, as vezes arrogante. Mas é um homem inegavelmente inteligente. Saberá conduzir esse estado de confusão estabelecido no PSDB com a lucidez que se espera dele. Até porque Amazonino Mendes não pode ser tratado como uma mera peça de um jogo de poder, ou ser colocado em situação vexatória diante de uma eventual rebelião em convenção tucana.
Amazonino é a joia rara dessa eleição. Deve seguir outro caminho que pode levá-lo com mais segurança ao Palácio da Compensa. É o que se espera. Mais respeito com o homem que pode não ter ainda um partido politico a altura de seu nome, mas tem o carinho de parte substantiva do eleitorado amazonense.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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