Apesar do recorde de desmatamento, cada vez menos fiscais atuam na Amazônia

Por Portal do Holanda

06/01/2021 13h50 — em Amazônia

Foto: Pixabay / Sob Bolsonaro, a maior floresta tropical do mundo perdeu no último ano 11.088 quilômetros quadrados de área, o recorde em 12 anos.

Entre as causas que estimulam o desmatamento da Amazônia há os costumados e os menos óbvios, como a relação entre moedas de diferentes países. O dólar alto incentiva o corte ilegal de árvores. A maior floresta tropical do mundo perdeu 11.088 km² de área floresta no último ano, e bateu um recorde de 12 anos. 


Caçar os crimes ambientais na Amazônia brasileira sempre foi um desafio descomunal, porque é mais extensa que a soma dos  27 países da União Europeia, mas com o presidente Jair Bolsonaro, isso se complica ainda mais. Quando as nuvens permitem, os satélites operam há anos um grande papel ao combate do desmatamento, e são necessários até hoje. Entretanto, devido a pouca quantidade, estão prestes a entrar em extinção.


Principalmente na última década, os dados dos satélites “ajudam o Ibama a priorizar as áreas de atuação, porque a mão de obra é limitada”, diz o professor Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas Gerais, cujo doutorado abordou justamente o papel da tecnologia neste âmbito. Porém, o acadêmico completa que funcionários dependem do trabalho de campo, como áreas indígenas, unidades de conservação, ou qualquer lugar onde exista degradação agressiva. Isso envolve se apresentar no local para apreender e destruir as ferramentas utilizadas para cometer o crime ambiental.


De acordo com Rajão, são cada vez mais raras as operações reúnem na Amazônia fiscais do Ibama, de todo o Brasil, para perseguir suspeitos importantes em momentos críticos, como secas ou aumento de desmatamento. 


O Brasil já havia tomado consciência dessas destruições, agiu contra e conseguiu reduzir até atingir o mínimo histórico em 2012. Entretanto, voltou a crescer desde então. O problema é a falta de vontade política. Bolsonaro tentou criminalizar as ONGs ambientalistas e nomeou como ministro do Meio Ambiente, um defensor do lobby pecuarista e sojicultor, Ricardo Salles, e, como se não bastasse, substituiu ambientalistas veteranos da direção do Ibama por comandantes da PM que pouco ou nada sabem de mudança climática ou biodiversidade.


Uma das razões para a falta de fiscais é de desde 2012 não há concurso para o cargo, e a rígida burocracia brasileira, que impede contratações extraordinárias. O resultado é que, se o Ibama teve em seus melhores anos, por volta de 2009, até 1.600 pessoas zelando pelo cumprimento da ambiciosa legislação ambiental brasileira, agora não chegam a 700, de acordo com a agência Fiquem Sabendo. Sua distribuição territorial é um mistério.


Entretanto, não cabe ao Ibama dirigir e lutar contra os crimes ambientais. Transformado em vilão ambiental do planeta com os incêndios na Amazônia no inverno de 2019, Bolsonaro recorreu às forças armadas. Então agora são elas que decidem onde e quando os fiscais do Ibama agirão. Também fornecem soldados e aeronaves que, segundo os críticos, na verdade atrapalham operações que exigem o sigilo e a discrição que um batalhão ou um comboio de caminhões dificilmente oferecem.

 


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