O quiprocó foi tão grande que Sinésio interrompeu Rotta, que não parou de falar, tudo em altíssimo volume. "Vossa Excelência tem dois pesos e duas medidas", disse Sinésio, que ainda aproveitou para cutucar o colega ao dizer que era professor e estava licenciado, portanto não tinha outro emprego (referindo-se a Rotta, que é apresentado de um programa de TV).
"Vossa Excelência vai me ouvir, eu estou na presidência. A Mesa não prevaricou", disse Marcos Rotta. "O Marcos Rotta aproveitou para achincalhar com a liderança do governo", berrou Sinésio, que ainda passou pelo constrangimento de ter negado um pedido de aparte que havia solicitado de Luiz Castro (PPS). Castro foi o relator do projeto da Vera Lúcia, que propõe melhor alterar a distribuição do tempo do Pequeno Expediente, que é de 45 minutos. Hoje, cada deputado tem direito a 10 minutos. Vera quer reduzir para oito minutos, para permitir participação de mais deputados.
No ambientre quente da sessão de hoje, o presidente da Casa, Ricardo Nicolau (PRP), apareceu por alguns minutos para assumir os trabalhos, quando tentou apaziguar os ânimos. Nem por isso Marcos deixou de voltar ao tema e, da tribuna, fez um duro discurso, onde carregou nas críticas a Sinésio, sem citar o nome. Na verdade, desde cedo o clima da sessão prometia momentos calorosos. O deputado Marcelo Ramos (PSB) criticou entrevista do senador Eduardo Braga (PMDB) ao jornal A Crítica, dizendo que o Estado havia 14 meses,ou seja, desde que ele saiu do governo. Marcelo definiu Braga como "deselegante" na declaração e em entrevista ironizou: "Foi o discurso de oposição mais duro que eu ouvi, porque ele disse que o governo está parado desde que ele saiu".

