Manaus/AM - A família vai muito além dos laços sanguíneos, ela se configura onde se encontra respeito e amor. Pensando nisso, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) desenvolve desde 2018 o projeto “Encontrar Alguém”. A iniciativa viabiliza a adoção tardia de crianças e adolescentes que vivem em abrigos na capital e no interior do estado.
O objetivo do projeto é ampliar as chances de adoção de crianças e adolescentes que foram destituídos do poder familiar, moram nos abrigos de acolhimento e se enquadram em perfil considerado de difícil colocação em uma família substituta, por questão de idade, por se tratar de grupo de irmãos ou em razão de condições especiais de saúde.
Segundo dados do Juizado da Infância e Juventude Cível, 90 crianças e adolescentes foram inseridos no “Encontrar Alguém”, e 18 já foram adotados. A divulgação das fotos e vídeos que integram a iniciativa têm repercussão local, nacional e até internacional, com participantes que foram adotados até em países como a França. Os vídeos ao longo dos anos foram determinantes para que inúmeras crianças e adolescentes encontrassem um novo lar.
O projeto consiste em gravação de vídeos, com a participação das próprias crianças acolhidas, e por meio dos quais elas têm seu perfil apresentado, expressando sua vontade de fazer parte de uma nova família. Produzidos com o apoio da Assessoria de Comunicação Social do TJAM, os vídeos são disponibilizados no canal do Tribunal na plataforma Youtube.
Aprovado pelo Tribunal Pleno TJAM em maio de 2018, por meio da Resolução nº 004/2018, o “Encontrar Alguém” foi lançado oficialmente no mês de julho do mesmo ano. A juíza Rebeca de Mendonça Lima, titular do Juizado da Infância e da Juventude Cível da Comarca de Manaus, fala sobre importância do projeto.
“Hoje, nós temos cerca de 35 mil adultos no Cadastro Nacional de Adoção, o CNA, esperando para adotar uma criança. O ‘Encontrar Alguém’ ajudou a desmistificar e a chamar a atenção da sociedade para essas crianças que estão nos abrigos. Muitas pessoas chegam aos abrigos porque veem as imagens e as fotos e se encantam com as crianças”, comentou.
A juíza Scarlet Viana, que está respondendo atualmente pelo Juizado da Infância e da Juventude Cível, contou que neste ano, pelo projeto, já foram realizadas adoções envolvendo dois grupos de irmãos, com duas crianças cada, além de outras duas crianças, sendo que estão em fase de interação mais dois grupos com três irmãos, além de mais uma criança. Há também um grupo de três irmãos que já foram desacolhidos, sob termo de guarda para fins de adoção. “É fato, portanto, que o projeto contribui para o aumento do número de adoções e a expectativa é que esse incremento seja crescente”, concluiu a juíza Scarlet.
Orientações para adoção
A pessoa que deseja adotar pode acessar o site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na aba “adoção”, onde pode fazer o pré-cadastro no Cadastro Nacional de Adoção, e colocar os dados pessoais, indicando características com o sexo da criança que deseja adotar, faixa etária, tom de pele, se ela tem um estado de preferência onde ela deseja adotar a criança, entre outros. Após esse pré-cadastro, será gerado um protocolo, e a pessoa terá o prazo de 30 dias para ajuizar a solicitação na Vara da Infância e da Juventude da sua cidade. Após o ajuizamento da ação é que o processo de habilitação de pessoas aptas a adotar é iniciado. Mais informações podem ser acessadas no site do CNJ por meio do link: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/adocao/

