"O fogo não vai apagar": pais de Benício fazem protesto cobrando Justiça
Manaus, AM – Os pais do pequeno Benício, criança que morreu após uma sucessão de erros médicos no hospital Santa Júlia, realizaram neste sábado (13), mais um protesto em frente à unidade de saúde particular, cobrando agilidade e punição rigorosa aos responsáveis.
O caso ganhou grande repercussão e, segundo o pai, Bruno, motivou outras famílias a buscarem justiça, como no recente caso de Pedro Henrique, que também faleceu após um procedimento simples.
Em meio à manifestação, os pais, Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier, reiteraram que o objetivo do ato é manter a pressão por justiça e garantir que o caso de Benício não seja esquecido.
"A nossa manifestação hoje aqui na frente do Santa Júlia é muito em prol da solicitação de justiça. A gente quer que o fogo não apague, que o nosso grito nunca vai se calar em prol do nome do Benício," declarou Bruno.
A mãe, Joyce, relembrou a dor da perda: "O que aconteceu com o nosso filho foi muito grave. Uma morte que foi muito dolorosa, tanto para a gente, imagine para ele, que sofreu naquela maca, até com uma simples tosse chegando no hospital e sair morto."
A família expressou estar chocada com os múltiplos erros que vieram à tona durante a investigação. Joyce enfatizou que a tragédia não foi causada apenas pela prescrição inicial da médica, mas por uma série de falhas que poderiam ter sido corrigidas pela equipe.
O casal depositou confiança no delegado Marcelo Martins e na Justiça, mencionando o recente ânimo após a decisão de derrubar o habeas corpus (HC) de uma das envolvidas.
"A gente tá aguardando a justiça ser feita, porque o que aconteceu com o nosso filho não pode mais acontecer com nenhuma criança, com nenhuma família. A gente quer justiça, a gente vai até o final. A gente não quer vingança, a gente só quer justiça e a gente quer que todos os envolvidos sejam responsabilizados pela morte do nosso filho," afirmou Bruno.
Durante as investigações, foi revelado que uma técnica de enfermagem chegou a alertar a profissional que estava com a criança sobre a forma inadequada de administrar a medicação. O conhecimento deste fato gerou um profundo sentimento de frustração nos pais.
"Foi outro fator que poderia ter evitado a morte do nosso filho. Todo dia é uma surpresa que a gente tem nesse caso," lamentou Bruno.
A família ressalta que o legado de Benício deve ser o de levantar uma bandeira para a sociedade, encorajando pais a questionarem procedimentos e alertando profissionais de saúde sobre a responsabilidade ao lidar com a vida, especialmente a infantil.
"A gente quer que o Benício seja um marco, para motivar outras famílias a terem mais atenção, a questionarem algo que suspeita que não esteja certo. E para que os profissionais de saúde entendam o seu valor, principalmente no atendimento por pediatras, porque criança não é um adulto pequeno," concluiu o pai.
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