Por Steve Gorman e Steve Nesius
STARBASE, TEXAS, Estados Unidos, 19 Mai (Reuters) - A SpaceX está pronta para realizar nesta semana o primeiro voo de teste sem tripulação da nova versão da nave espacial Starship.
O voo de estreia do Starship V3, equipado com novos recursos projetados para dar suporte a futuras missões à Lua e a Marte, representa um teste importante para o próprio veículo e para a confiança dos investidores antes de uma oferta pública inicial da SpaceX, prevista para o próximo mês.
O foguete totalmente reutilizável é crucial para as metas de Elon Musk de reduzir drasticamente os custos de lançamento, expandir seu negócio de satélites Starlink e buscar ambições que vão desde centrais de processamento de dados orbitais até missões interplanetárias humanas - todas elas incluídas na avaliação da oferta pública inicial de US$1,75 trilhão da empresa.
"Para um IPO que está se apoiando tanto na narrativa e no simbolismo, acreditamos que esse voo é o catalisador pré-IPO mais importante que permanece no calendário da SpaceX", disse Franco Granda, analista sênior de pesquisa da PitchBook.
A imponente espaçonave, que consiste na nave para astronautas Starship instalada no topo do foguete de propulsão Super Heavy, deve ser lançada na quarta-feira das instalações da SpaceX em Starbase, Texas, no Golfo do México.
Além de ser a viagem inaugural da V3 Starship e do Super Heavy, o voo de teste marcará a primeira decolagem de uma nova plataforma de lançamento projetada para o foguete mais potente.
"ATERRISSAGEM EMOCIONANTE"
Uma das principais atualizações do foguete de propulsão é a renovação de seus 33 motores Raptor para produzir maior empuxo a partir de um projeto que pesa significativamente menos.
Da mesma forma, o sistema de propulsão da Starship foi aperfeiçoado para missões de longa duração, com mecanismos que permitem a acoplagem entre naves, reabastecimento no espaço e maior capacidade de manobra.
Uma medida fundamental de sucesso para futuros testes será a recuperação pós-voo da Starship e do Super Heavy, que estão sendo desenvolvidos como veículos reutilizáveis.
A SpaceX disse que não tentará aterrissar ou recuperar com segurança nenhuma parte da espaçonave a partir desse lançamento. Mas os objetivos do teste incluem a execução de várias manobras de voo de retorno pelo propulsor e pela própria Starship, incluindo queimaduras de aterrissagem controladas antes que cada veículo caia no mar.
Espera-se que o Super Heavy desça no Golfo do México cerca de sete minutos após a decolagem. O "pouso emocionante" da Starship, como a SpaceX se refere a ele, está previsto para cerca de uma hora depois no Oceano Índico.
Antes dessa aterrissagem, os planos prevêem que a carga útil da Starship libere um conjunto de 20 simuladores Starlink, além de dois satélites reais modificados para escanear o escudo térmico da espaçonave e transmitir dados aos operadores em terra durante a reentrada.
INVESTIDORES ATENTOS
A cultura de engenharia da SpaceX, considerada mais tolerante ao risco do que a de muitas das empresas mais estabelecidas do setor aeroespacial, baseia-se em uma estratégia de testes de voo que leva as espaçonaves recém-desenvolvidas ao ponto de falhar e, em seguida, promove melhorias por meio de repetições frequentes.
Resta saber como os investidores que estão avaliando o IPO da SpaceX conciliarão o apetite de Musk por assumir riscos de curto prazo com suas aspirações de longo prazo para viagens espaciais lunares e interplanetárias.
Musk, que fundou a empresa de foguetes com sede na Califórnia em 2002, disse há um ano que previa que a Starship faria sua primeira viagem sem tripulação a Marte no final de 2026.
Um voo de teste bem-sucedido ajudará a reforçar o argumento da SpaceX de que a Starship está se aproximando da prontidão comercial após anos de contratempos explosivos e atrasos no desenvolvimento.
A SpaceX tem um contrato de mais de US$3 bilhões assinado em 2021 no âmbito do programa Artemis da Nasa, o esforço dos EUA para retornar os astronautas à superfície da Lua no final desta década. Esses planos colocam a Starship no centro de uma nova corrida espacial com a China, que tem como objetivo um pouso lunar tripulado em 2030.




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