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Alimentação e exposição química podem afetar desenvolvimento genital infantil, diz urologista

Alimentação e exposição química podem afetar desenvolvimento genital infantil, diz urologista

Em entrevista ao Portal do Holanda, a farmacêutica e terapeuta integrativa Ednilza Guedes recebeu o urologista pediátrico Dr. Petrus Oliva para tratar de um tema pouco discutido pelas famílias brasileiras: alterações no desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos em crianças, condição que, segundo o especialista, tem se tornado cada vez mais frequente nos consultórios do país.

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Um problema que não tem causa única

De acordo com o Dr. Petrus, o quadro costuma ser percebido pelos próprios pais, que notam que o crescimento genital do filho não acompanha o desenvolvimento geral do corpo da criança. O médico explicou que não existe um fator isolado responsável pela condição: trata-se, segundo ele, da combinação de múltiplos elementos, com destaque para influências ambientais às quais a criança pode ter sido exposta ainda na gestação ou nos primeiros anos de vida — incluindo produtos químicos, radiação e determinados medicamentos.

O especialista também apontou como possíveis fatores de risco a exposição a chamados disruptores endócrinos, substâncias presentes em alimentos industrializados, bebidas e até remédios, além do consumo de carnes e outros alimentos de animais tratados com hormônios de crescimento. Segundo ele, mesmo a qualidade da água pode ser motivo de atenção. Como recomendação geral, o médico defendeu uma alimentação mais natural e a redução do consumo de industrializados e refrigerantes.

Sinais que merecem atenção

O Dr. Petrus destacou que existe uma faixa de tamanho considerada normal para cada idade, e que a avaliação pode ser mais difícil em crianças com sobrepeso. Segundo ele, quando os pais, avós ou responsáveis notam algo que os preocupa nesse aspecto do desenvolvimento da criança, a orientação é buscar avaliação pediátrica ou de um urologista pediátrico para uma medição clínica adequada — considerada por ele o principal recurso diagnóstico, complementada, quando necessário, por exames hormonais e de idade óssea.

Tratamento existe, mas depende da idade

Um dos pontos centrais da entrevista foi a existência de um tratamento considerado seguro e eficaz para estimular o crescimento peniano em meninos — mas, segundo o urologista, sua eficácia está diretamente ligada à idade em que é iniciado. Ele afirmou que os melhores resultados ocorrem antes da puberdade, preferencialmente alguns anos antes, e que a resposta ao tratamento se torna imprevisível conforme a criança se aproxima ou entra nesse período. Após a puberdade, de acordo com o médico, não há mais intervenção eficaz para esse fim.

O especialista chamou atenção ainda para uma mudança observada nas últimas décadas: a puberdade masculina estaria começando mais cedo, hoje concentrada, segundo ele, entre os 11 e 12 anos — o que, na avaliação do médico, reduz a janela disponível para o tratamento.

Recomendação final

Ao encerrar a entrevista, o médico reforçou que a desconfiança dos pais ou responsáveis sobre o desenvolvimento do filho não deve ser ignorada e que vale a pena buscar avaliação médica especializada em caso de dúvida. Ele informou ainda que pretende publicar uma série de vídeos sobre o tema em seus canais nas redes sociais para ampliar o acesso da população a essas informações.

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