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Uma golpista da terceira idade com 45 passagens pela polícia

RIO - Com 62 anos, Maria Odília Guedes Nascimento contava sempre a mesma história triste para comover suas vítimas. Dizia ser dona de uma pousada na Bahia e que estava no Rio para fazer uma cirurgia nos olhos. O drama era a estratégia para convencer os proprietários de quartos que alugava na Zona Sul a lhe dar dinheiro. O disfarce da idosa acabou na última segunda-feira quando ela foi presa num bar em Copacabana.

— Ela passava um cheque para pagar o aluguel adiantado e colocava um valor a mais, que pedia para a locatária devolver. Ela dizia que um parente depositaria o dinheiro e que precisava desse valor adiantado para começar o tratamento. A pessoa só percebia o golpe quando o cheque voltava — contou a delegada Kelly Goularte, titular da 12ª DP (Copacabana).

Com 45 passagens pela polícia, sendo 25 por estelionato, Maria Odília escolhia suas vítimas em anúncios de jornal. Em sua ficha criminal, o primeiro golpe é de 1987. Só na 12ª DP, há quatro acusações. Na lista de crimes, há ainda casos de furto, receptação, falsa identidade e contravenção. Ontem, uma advogada foi até a delegacia para contar como se tornou um dos alvos de Maria Odília:

— Ela alugou um quarto em minha casa. Disse que era dona de uma pensão na Bahia e que veio ao Rio operar o olho. Contou que o filho dela ia pagar a despesa. Os três meses de aluguel sairiam por R$ 13 mil. Ela disse que o filho depositaria R$ 15 mil e pediu para eu adiantar R$ 2 mil. Dei R$ 200 que eu tinha. Não esperava isso. Ela era supereducada.

A advogada disse ainda precisou pagar uma dívida de R$ 100 deixada por Maria Odília, que pediu o dinheiro emprestado a dois hóspedes que estavam em sua casa. Além disso, ela teria furtado quatro vestidos, uma bolsa argentina e um celular.

— É importante que as vítimas façam o reconhecimento de Maria Odília na delegacia. Ela já responde a 28 procedimentos, mas acreditamos que haja mais casos — disse a delegada.

A polícia apreendeu nesta terça-feira na casa de Maria Odília, em Copacabana, quatro celulares, talões de cheques e cartões de créditos.

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