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Sem verba, Timoneiros da Viola não desfilará

RIO - O Timoneiros da Viola partiu sem dizer adeus. Fundado em 2012, o bloco que homenageia Paulinho da Viola não desfilará pelas ruas de Madureira no próximo carnaval, como noticiou Ancelmo Gois na sua coluna no GLOBO. O motivo, segundo os organizadores, é a grave crise financeira que atinge o estado, que dificultou a captação de recursos até mesmo junto à iniciativa privada. A falta de verbas também atingiu em cheio pelo menos outros dois tradicionais blocos do subúrbio carioca, que também não sairão em 2018: o Meu Amor Eu Vou Ali, de Vila Valqueire, e o Mulheres de Zeca, que homenageia o cantor Zeca Pagodinho e, nos últimos anos, utilizava o espaço do Parque Madureira.

Essa será a primeira vez em sete anos que o Timoneiros, o maior e mais tradicional bloco da Zona Norte, ficará de fora da folia. Em edições anteriores, até 70 mil pessoas já se reuniram para cantar sambas de Paulinho da Viola. O custo mínimo para que o bloco desfile oscila entre R$ 50 mil e R$ 60 mil, ainda de acordo com os responsáveis pela agremiação. Só o aluguel de um trio elétrico, por exemplo, pode custar quase R$ 20 mil. Ainda há despesas com infraestrutura, equipe de segurança, alimentação e músicos, entre outros gastos.

- A grande verdade é que não há uma atenção especial nem da iniciativa privada nem do poder público para o carnaval das zonas Norte e Oeste, que está morrendo. As empresas não querem apoiar bloco de subúrbio, que não sai na orla. Acham que não dá visibilidade à marca. Ficamos tristes com essa decisão de não sair, inclusive o próprio Paulinho, mas não temos como colocar dinheiro do nosso bolso - desabafou Vagner Fernandes, presidente e fundador do bloco.

A menos de dois quilômetros de Madureira, a Estrada Intendente Magalhães foi palco, desde 2002, de 15 desfiles consecutivos do Meu Amor Eu Vou Ali, que já chegou a arrastar 80 mil foliões pela principal via de Vila Valqueire. Além do mesmo problema de falta de patrocínios, a escalada da violência colaborou para que os organizadores desistissem de participar do carnaval de 2018.

- Sem dinheiro, a gente não consegue nem contratar agentes de segurança privada, sem falar em todos os outros custos. Fica muito complicado, precisamos ser responsáveis - disse Luiz Felipe Moreira do Nascimento, organizador do bloco.

O Mulheres de Zeca é o bloco mais recente. Desde 2013, a sambista Dorina reúne vozes femininas para cantar Zeca Pagodinho em ritmo de carnaval. Ao que tudo indica, porém, a homenagem não terá vez.

- Não conseguimos dinheiro. A essa altura do campeonato, tão em cima do carnaval, acho que já podemos dizer que não vai acontecer - lamenta Dorina.

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