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Protesto de mulheres foi a marca de dia tenso

RIO — Viúva de um sargento da PM, Sueli Pontes, de 63 anos, nunca havia participado de uma manifestação ou protesto até esta sexta-feira. Com o pagamento da pensão atrasado e sem dinheiro para quitar dívidas, a dona de casa soube pelas redes sociais que mulheres de militares, inspiradas no movimento realizado no Espírito Santo, fariam uma barreira na entrada do 18º BPM (Jacarepaguá). Ela não teve dúvidas: pegou os dois netos, fez um cartaz e parou na porta do batalhão.

— Moro com duas das minhas três filhas e dois netos. Estamos cheios de dívidas. A gente não pode se acomodar. Tem que protestar — disse ela, que perdeu o marido em 2006, numa operação na Cidade de Deus.

As pessoas que foram para o 3º BPM (Méier) se organizaram em dois grupos para vigiar, desde o primeiro minuto de sexta-feira, as duas portarias do batalhão. Por volta das 13h, eram 20, entre mulheres, viúvas, tias e mães de policiais militares. Uma manifestante de 28 anos, casada com um soldado de UPP, não pôde ir durante a madrugada, pois não tinha quem cuidasse dos dois filhos:

— Sofremos caladas há muito tempo. Nossos maridos trabalham sem receber, com armas quebradas, sem alimentação e, muitas vezes, até sem água. Eles não podem protestar, mas nós podemos. Vimos o movimento no Espírito Santo e nos inspiramos. Assim, podemos ser ouvidas.

No Leblon, oito mulheres amanheceram nas três portarias do 23º (BPM) e barravam quem tentava entrar. Um morador do bairro criticou a falta de reação ao protesto. Em determinado momento, uma equipe deixou de sair do batalhão porque duas mulheres e duas crianças pararam em frente a um carro-patrulha. O veículo deu ré.

— Somos poucas, mas somos guerreiras — disse uma delas, satisfeita.

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