RIO - Estado brasileiro onde mais circulam, no mercado clandestino, armas de guerra no país, o Rio registrou um aumento de 75% no número de fuzis recolhidos pelos policiais com o crime organizado este ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a agosto de 2017, segundo estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP), 347 fuzis foram apreendidos, 264 apenas na capital. Em 2016, nos primeiros oito meses, o total de fuzis recolhido com os traficantes foi de 198, sendo que 136 encontrados na capital.
As apreensões de fuzis, por exemplo, saltaram de 214, em 2007, para 344, em 2015. Um aumento de 60% em nove anos. A presença de um grande número de armas circulando no estado apareceu numa pesquisa inédita que o Instituto Sou da Paz concluiu ano passado. Com informações das secretarias de Segurança dos estados do Sudeste, o levantamento revelou que, em 2014, o Rio teve a maior quantidade de fuzis recuperados pela polícia: 279. Em São Paulo, a polícia apreendeu 142; em Minas Gerais, 26; e no Espírito Santo, 31.
Em todos os estados, o calibre mais comum é o 38, de revólveres, segundo a pesquisa. Como há uma grande apreensão de pistolas, os segundos e terceiros lugares são ocupados pelos calibres 9mm e o 380. A grande quantidade de fuzis apreendidos no Rio não pode ser atribuída à eficiência policial. Em termos de números absolutos, Minas e São Paulo foram os estados com maiores apreensões de armas em geral: 18.560 e 17.932, respectivamente.
Os pesquisadores também analisam os números relativos, ou seja, comparam a quantidade de armas apreendidas com a população. Nesse aspecto, Espírito Santo e Minas estão no topo do levantamento, com 108 armas e 89 armas para cada grupo de cem mil habitantes, respectivamente. O Rio ficou em terceiro, com a taxa de 52 armas por cem mil, e à frente de São Paulo, com 41.
Ao analisar a série histórica de apreensões, o Instituto Sou da Paz verificou que Rio e São Paulo têm tendências muito parecidas. O número de apreensões em 2003 (antes de o Estatuto do Desarmamento ser aprovado) era o dobro do que é registrado hoje. De lá para cá, os dois estados reduziram não só o número de armas recolhidas, mas também as taxas de homicídios. Minas e Espírito Santo têm um outro perfil. Os dois tiveram quedas menores depois da aprovação do Estatuto do Desarmamento e, a partir de 2007, vêm apreendendo mais armas.


