SÃO PAULO - Em um período de um ano, três pessoas morreram em São Paulo por reação à vacina contra a febre amarela. Além disso, outros seis casos são investigados. O balanço foi divulgado hoje pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Os três casos ocorreram com adultos com mais de 60 anos.
Dois dos casos ocorreram desde outubro. Hoje, o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, confirmou duas mortes em razão da vacina. Nos dois casos, as vítimas moravam na Zona Norte da cidade, área de risco de infecção da doença. O terceiro morreu em fevereiro de 2017 e morava em Matão, na região de Rio Preto.
Avítimas foram uma professora aposentada, de 76 anos, moradora de Ibiúna, e um homem que ainda não teve a identidade revelada. Em entrevista à “GloboNews”, a sobrinha da idosa que faleceu após receber uma dose da vacina contra febre amarela, a sobrinha afirmou que a tia já sentiu os sintomas da doença no dia seguinte.
"O que aconteceu é que ela tomou a vacina, no dia seguinte ela já se sentiu mal com os sintomas da febre amarela, e foi até um hospital municipal da região de Ibiúna", afirmou a sobrinha.
A Secretaria de Saúde destacou que a vacina é feita com o vírus vivo atenuado, de forma que o organismo possa produzir anticorpos contra a doença. Posteriormente à aplicação da vacina, é comum a presença de sintomas como dores musculares e de cabeça, além de febre. Vermelhidão, inchaço e calor também podem ocorrer no ponto de aplicação da agulha.
“Justamente pelo perfil da vacina, a imunização é indicada apenas para quem precisa, considerando-se o risco de exposição à febre amarela. Portanto, em locais urbanos, onde não há transmissão, não há motivo para expor a população a um risco desnecessário. Os parâmetros da literatura variam de 1 morte a cada 450 mil doses aplicadas”, destacou o comunicado da Secretaria de Saúde.
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O efeito adverso mais grave é a doença viscerotrópica aguda (DVA), que ocorre até o décimo dia após a vacinação, e é semelhante à próproia febre amarela, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os casos de DVA são estimados em uma a cada 400 mil doses da vacina.
Especialistas advertem que apenas pessoas que vivem em área de risco ou estão com viagem marcada devem ser vacinadas. A medicação, alertam, tem contraindicações e risco à saúde.
Na quinta-feira, a secretaria estadual de Saúde de São Paulo anunciou que antecipou novamente a data do início da campanha de vacinação fracionada no estado. Assim como o Rio, a nova data de início da aplicação será 25 de janeiro.
A imunização seguirá até o dia 17 de fevereiro. O novo cronograma amplia para 24 dias a duração da campanha. A meta é imunizar 8,3 milhões de pessoas em 54 cidades do estado que não estão no mapa da área de risco. Nos dias 3 e 17, haverá um esquema especial nos postos de saúde para atender a população. A imunização ocorrerá em municípios da Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Baixada Santista. Os locais, segundo a secretária de Saúde, foram definidos a partir de critérios epidemiológicos em locais de concentração de mata.Na capital, a meta é vacinar 2,5 milhões de pessoas em regiões da zonas leste e sul. Apenas entre 2 e 17 de janeiro de 2018, 905.552 doses foram aplicadas na cidade. Deste total, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 342.898 vacinas ocorreram em unidades de referência para pessoas que viajarão para áreas de risco. No mesmo período do ano passado, foram 44.199 doses, o que corresponde um aumento neste ano de quase sete vezes em 2018.
Já as unidades localizadas em áreas de risco, que compreendem distritos das zonas norte, sul e oeste, 562.654 pessoas foram imunizadas. A vacinação preventiva em áreas da circulação do vírus na cidade de São Paulo iniciou em outubro de 2017. Desde então, foram vacinadas 1.307.127 pessoas apenas nesses locais.
Por orientação da Secretaria de Saúde, quem não mora ou trabalha nas áreas com risco de febre amarela deve aguardar o início da campanha fracionada no dia 25 de Janeiro.
A aplicação da dose fracionada é uma diretriz do Ministério da Saúde. Com isso, o frasco que convencionalmente é aplicado para uma única dose poderá ser subdividido em até cinco partes, com 0,1ml em cada vacina. Segundo o órgão, estudos apontam que a vacina fracionada tem eficácia de até oito anos. As carteiras de vacinação, no entanto, receberão que indicam que a dose aplicada foi a fracionada.
Em 2017, a cidade de São Paulo registrou 18 casos de febre amarela, dos quais nove evoluíram para a morte. Segundo o a Secretaria de Saúde do município, todos foram importados de outros lugares: dez de Minas Gerais, um de Monte Alegre, cinco de Mairiporã e dois de Atibaia.



