SÃO PAULO - Duas pessoas morreram em São Paulo depois de já terem tomado vacina contra a febre amarela. As mortes foram confirmadas pelo secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, ao “SP-1”, da TV Globo. Há suspeita de que as vítimas estavam com imunidade baixa.
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Ainda segundo Pollara, mais três pessoas que passaram mal depois de tomar a medicação estão sendo investigadas. Todos os casos foram registrados a partir de outubro do ano passado.
Avítimas foram uma professora aposentada, de 76 anos, moradora de Ibiúna, e um homem que ainda não teve a identidade revelada. Em entrevista à “GloboNews”, a sobrinha da idosa que faleceu após receber uma dose da vacina contra febre amarela, a sobrinha afirmou que a tia já sentiu os sintomas da doença no dia seguinte.
"O que aconteceu é que ela tomou a vacina, no dia seguinte ela já se sentiu mal com os sintomas da febre amarela, e foi até um hospital municipal da região de Ibiúna", afirmou a sobrinha.
Especialistas advertem que apenas pessoas que vivem em área de risco ou estão com viagem marcada devem ser vacinadas. A medicação, alertam, tem contraindicações e risco à saúde.
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), efeitos adversos graves após uma dose completa de vacina contra a febre amarela são extremamente raros (na ordem de um por um milhão de pessoas). A Fiocruz afirma, no entanto, que a vacina para a febre amarela deve ser aplicada em idosos de forma criteriosa, uma vez que a dose é feita com vírus vivos, mas atenuados. Crianças abaixo de seis meses de idade têm a imunização contraindicada.
Um dos possíveis efeitos é a doença viscerotrópica aguda (DVA), que ocorre até o décimo dia após a vacinação, e é semelhante à próproia febre amarela. Nesse caso, casos de DVA são estimados em uma a cada 400 mil doses da vacina.
Na quinta-feira, a secretaria estadual de Saúde de São Paulo anunciou que antecipou novamente a data do início da campanha de vacinação fracionada no estado. Assim como o Rio, a nova data de início da aplicação será 25 de janeiro.
A imunização seguirá até o dia 17 de fevereiro. O novo cronograma amplia para 24 dias a duração da campanha. A meta é imunizar 8,3 milhões de pessoas em 54 cidades do estado que não estão no mapa da área de risco. Nos dias 3 e 17, haverá um esquema especial nos postos de saúde para atender a população. A imunização ocorrerá em municípios da Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Baixada Santista. Os locais, segundo a secretária de Saúde, foram definidos a partir de critérios epidemiológicos em locais de concentração de mata.Na capital, a meta é vacinar 2,5 milhões de pessoas em regiões da zonas leste e sul. Apenas entre 2 e 17 de janeiro de 2018, 905.552 doses foram aplicadas na cidade. Deste total, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 342.898 vacinas ocorreram em unidades de referência para pessoas que viajarão para áreas de risco. No mesmo período do ano passado, foram 44.199 doses, o que corresponde um aumento neste ano de quase sete vezes em 2018.
Já as unidades localizadas em áreas de risco, que compreendem distritos das zonas norte, sul e oeste, 562.654 pessoas foram imunizadas. A vacinação preventiva em áreas da circulação do vírus na cidade de São Paulo iniciou em outubro de 2017. Desde então, foram vacinadas 1.307.127 pessoas apenas nesses locais.
Por orientação da Secretaria de Saúde, quem não mora ou trabalha nas áreas com risco de febre amarela deve aguardar o início da campanha fracionada no dia 25 de Janeiro.
A aplicação da dose fracionada é uma diretriz do Ministério da Saúde. Com isso, o frasco que convencionalmente é aplicado para uma única dose poderá ser subdividido em até cinco partes, com 0,1ml em cada vacina. Segundo o órgão, estudos apontam que a vacina fracionada tem eficácia de até oito anos. As carteiras de vacinação, no entanto, receberão que indicam que a dose aplicada foi a fracionada.
Em 2017, a cidade de São Paulo registrou 18 casos de febre amarela, dos quais nove evoluíram para a morte. Segundo o a Secretaria de Saúde do município, todos foram importados de outros lugares: dez de Minas Gerais, um de Monte Alegre, cinco de Mairiporã e dois de Atibaia.



