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São Paulo tem duas mortes por reação à vacina da febre amarela

SÃO PAULO, BELO HORIZONTE E RIO - Duas pessoas morreram em decorrência da vacina da febre amarela desde outubro em São Paulo. No período de um ano, os efeitos adversos da vacina já provocaram três óbitos no estado. Além disso, outros seis casos são investigados. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que alertou para os perigos da imunização indiscriminada.

O secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, confirmou que as duas vítimas moravam na Zona Norte da cidade, área considerada de risco de infecção da febre amarela. Uma das pessoas era uma professora aposentada, de 76 anos, de Ibiúna. Em entrevista à “GloboNews”, a sobrinha da idosa contou que a tia sentiu os sintomas da doença um dia após ser vacinada. O terceiro óbito, em fevereiro de 2017, foi o de um morador de Matão, na região de Rio Preto.

De 2017 até agora, houve 81 casos de febre amarela, com 36 óbitos, em São Paulo. A Secretaria estadual de Saúde explicou que a vacina é feita com o vírus vivo atenuado, para que o organismo possa produzir anticorpos contra a doença. Posteriormente à aplicação, é comum o aparecimento de sintomas, como dores musculares e de cabeça, além de febre. Vermelhidão, inchaço e calor também podem ocorrer no ponto de aplicação.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo destacou que, devido ao perfil da vacina, “a imunização é indicada apenas para quem precisa, considerando-se o risco de exposição à febre amarela”. Informou ainda que, em locais urbanos, onde não existe transmissão da doença, não há motivo para expor a população. Segundo o órgão, os parâmetros da literatura indicam uma morte a cada 450 mil doses aplicadas. O efeito adverso mais grave é a doença viscerotrópica aguda (DVA), que ocorre até o décimo dia após a vacinação e é semelhante à própria febre amarela, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os casos de DVA são estimados em um a cada 400 mil doses da vacina.

Assim como o Rio, São Paulo também antecipou para a próxima quinta-feira o início da campanha de vacinação fracionada. Enquanto isso, a procura por vacina nos postos nos dois estados continua grande, com filas se formando ainda de madrugada. Já Minas Gerais, onde o número de mortos pela doença chegou a 19, não vai aplicar doses divididas. O estado faz neste sábado um mutirão para atingir o índice de imunização de 95% da população. Até ontem estava em 82%. A prefeitura de Nova Lima, a 20 quilômetros de Belo Horizonte, confirmou ontem a morte de mais um paciente com febre amarela, que estava internado desde o início da semana. A cidade já teve seis óbitos, superando Brumadinho, onde ocorreram quatro.

Em Belo Horizonte, foi enterrado nesta sexta-feira o músico e presidente da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), Flávio Henrique Alves, de 49 anos, que morreu vítima de febre amarela. Ele não era vacinado e morava em Brumadinho, onde fica o Instituto de Inhotim, o maior museu de arte a céu aberto da América Latina, que decidiu exigir dos visitantes o cartão de vacinação a partir da próxima terça-feira.

No Estado do Rio, mais um caso de febre amarela foi confirmado no município de Valença, no Sul Fluminense. Com isso, sobe para 14 o número de registros da doença — com cinco mortes — desde o início do ano. A prefeitura de Teresópolis, no entanto, afirma que mais um morador da cidade contraiu a doença, o que elevaria para 15 o total de casos no estado.

O doente seria do bairro Fonte Santa e continua internado com um quadro estável na enfermaria do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz. O paciente trabalha durante a semana na cidade de Paraíba do Sul, numa região de mata fechada, e retorna para casa, em Teresópolis, nos fins de semana. A Secretaria estadual de Saúde determinou a realização de ação de bloqueio na Fonte Santa, para intensificar a busca por quem ainda não se imunizou. Equipes dos postos da Estratégia de Saúde da Família da cidade vão percorrer a região, inclusive avaliando idosos e outras pessoas para verificar possíveis contraindicações. Com este paciente, Teresópolis passa a ter quatro casos de febre amarela, sendo uma morte.

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