RIO - Os cortes anunciados pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, nos repasses de verbas para o carnaval de 2018 já estão paralisando a produção das escolas que desfilam na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte. A Riotur diz que não bateu o martelo, mas que trabalha com a possibilidade de redução de 25% no valor da subvenção às escolas do Grupo B. Presidentes de agremiações como Caprichosos de Pilares e Tradição dizem que fornecedores não querem mais liberar materiais, com medo de se tornarem vítimas de calote.
— No ano passado, nesta época já estávamos começando a fazer fantasias e a pensar nas alegorias. Mas sem termos essa previsão de repasses, os fornecedores não liberam nada. Estamos com o barracão completamente parado e isso é preocupante — diz Juliana Leandro, presidente de honra da Caprichosos de Pilares, que desfila pelo Grupo C.
Raphaela Nascimento, presidente da Tradição, escola que já passou pelo Grupo Especial e que, hoje, está no Grupo B, também criticou o prefeito.
— No segundo turno das eleições para prefeito, Crivella fez um evento com várias agremiações e nos prometeu que daria um forte apoio às escolas. Mas isso tudo acabou logo depois que ele foi eleito. O valor da nossa subvenção é de R$ 200 mil, mas no último carnaval gastamos R$ 350 mil. Estamos com o carnaval parado.
O presidente do Conselho Deliberativo da Liga Independente das Escolas de Samba da Série B, Sandro Avelar, voltou a reclamar ontem que a prefeitura ainda não quitou a dívida de R$ 800 mil referente a subvenção do carnaval deste ano:
— A verba total destinada ao carnaval deste ano das escolas dos grupos B, C e D foi de R$ 4 milhões. Deste valor, 70% foram pagos ainda na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes. Outros 10% foram pagos no fim de janeiro deste ano, mas ainda faltam 20%.
Segundo Avelar, o carnaval está comprometido:
— As escolas que desfilam em Intendente Magalhães trabalham com recursos escassos. Qualquer corte provoca um problema gigantesco na confecção de alegorias e fantasias e, sobretudo, na contratação de profissionais.
A Riotur afirmou em nota que os repasses deste ano devem ser liquidados até 10 de julho.



