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Após fim dos Jogos Olímpicos no Rio, Vila dos Atletas não decolou

RIO - Após o sucesso de público durante a Olimpíada, o comerciante José Felipe de Araújo, que administra o bar do Bin Laden, instalado próximo ao condomínio Ilha Pura, erguido para sediar a Vila dos Atletas durante o torneio, sonha com o dia em que os novos moradores chegarão à região. Os bons ventos, porém, ainda vão demorar a soprar. Um dos legados olímpicos, o Ilha Pura, na Barra, permanece fechado. Dos 3.604 apartamentos, apenas 600 foram colocados à venda. Desses, apenas 240 foram comprados, ou seja, 40% das unidades anunciadas. Quase um ano após o fim da competição, a empresa homônima ao condomínio, formada pela CarvalhoHosken e Odebrecht Realizações Imobiliárias, não possui um calendário para a venda dos demais três mil imóveis.

Sem prazos concretos, o condomínio é um mistério no mercado imobiliário. Representantes do setor não sabem estimar o tempo necessário para que as vendas emplaquem. Na opinião do presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, dois fatores justificam o número inexpressivo de vendas. A crise econômica é uma das vilãs, mas uma particularidade do condomínio, que teve que ser erguido de uma vez só para atender aos atletas, pode ter atrapalhado as negociações. O padrão do mercado, diz Hermolin, é que empreendimentos de grande porte sejam construídos e vendidos em fases distintas para evitar uma enxurrada de imóveis com as mesmas características no mercado.

— Você tem, infelizmente, a conjugação de dois fatores: havia a necessidade de entregar todas as unidades ao mesmo tempo, uma particularidade que impede a entrega em fases; e a crise (econômica). Cada um desses eventos isoladamente já seria motivo suficiente para ter estoque — avalia.

Hermolin diz não ser possível estimar o tempo necessário para que as unidades remanescentes sejam comercializadas.

— A gente acredita que esse estoque será absorvido pelo mercado porque a Barra é vetor de crescimento da cidade, mas não sabemos o tempo.

A empresa Ilha Pura, que administra o condomínio, minimiza o quadro. Em nota, afirmou que “o volume comercializado certamente foi afetado pelo momento econômico do país”. A Ilha Pura diz ainda o que o planejamento era que a venda fosse realizada a longo prazo, de forma “coerente com o elevado número de unidades e com a capacidade de absorção do mercado imobiliário local”.

Presidente da Ilha Pura, Cláudio Zafiro diz que não está assustado com a demora:

— O projeto sempre foi muito a longo prazo. Esse tempo que a gente está tendo com o mercado (para a venda dos apartamentos) não assusta. O empreendimento já nasceu com essa curva de vendas a longo prazo. Seria (um elefante branco) se tivéssemos previsto vendas rápidas.

Segundo a própria Ilha Pura, está prevista a abertura de uma nova etapa de vendas no segundo semestre, mas a empresa afirma que “os detalhes da estratégia de comercialização das próximas fases estão em definição”. Enquanto isso, a cerca de 800 metros do empreendimento, Araújo lamenta a queda no movimento de seu bar após a Olimpíada:

— Fico triste vendo aquela cidade (a Ilha Pura) vazia. Se tivesse morador, seria ótimo pra gente. Fico pedindo a Deus para que ele volte a funcionar.

Os moradores dos 240 imóveis vendidos — os valores de apartamentos no condomínio variam entre R$ 750 mil e R$ 3 milhões — ainda devem demorar. O retrofit iniciado em janeiro, depois da utilização do empreendimento pelos atletas olímpicos e paralímpicos, deveria ficar pronto em setembro. Mas os proprietários só poderão fazer a mudança a partir de dezembro deste ano. Em nota, a Ilha Pura diz que não há atraso, pois o contrato previa um prazo de carência.

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