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Após tragédia com turista espanhola, agências suspendem passeios até sexta-feira

RIO - Um dia depois da tragédia, não era fácil conseguir comprar um passeio à Rocinha. Enquanto guias comunitários acompanhavam grupos em visitas, empresas de turismo responderam à reportagem do GLOBO que estavam evitando a favela e que só levariam turistas para o Vidigal (que fica ao lado), o Dona Marta e a Vila das Canoas. Mas uma delas fez uma ressalva: o “jejum” só duraria até sexta-feira, quando, acreditava, a situação estaria mais calma e tudo voltaria ao normal.

Por telefone, uma funcionária da Favela Tour disse que não havia nada “descontrolado” na Rocinha e prometeu retomar, ainda esta semana, as visitas à favela que, desde 17 de setembro, está no centro de uma disputa do tráfico.

— Na verdade, não tem nada de descontrolado lá. Não é uma guerra do tráfico que precise ficar preocupado...(sic). É mais pela mídia, que aumenta muito e faz todo mundo ficar aterrorizado. A gente evita porque não quer expor ninguém a nenhum tipo de situação. Eu sugiro que, se você quer realmente conhecer a Rocinha e vai ficar até semana que vem, espere. Eu acredito que depois de amanhã já estará mais normalizado para fazer a visita lá.

Procurado, o dono da agência Favela Tour, Marcelo Armstrong, não confirmou se os passeios na Rocinha voltarão a ser feitos a partir de sexta-feira. Segundo ele, não há como prever se a situação na favela já estará normalizada.

— Não podemos negar clientes. Temos pessoas dentro das comunidades que nos informam diariamente. Se houver segurança, a gente faz (o passeio). Se não houver, não faz — disse ele. — O que aconteceu foi um fato trágico e lamentável, uma vítima violada por um agente público, que deveria nos dar segurança. Nós deveríamos crer que, se eles estão lá, há segurança. Se não há, não é responsabilidade da agência, mas, sim, do estado.

A agência SJ Turismo e Experiência afirmou à reportagem que, no momento, estava agendando visitas turísticas apenas para o Vidigal e o Dona Marta. Caso o cliente quisesse a Rocinha, seria possível consultar guias da comunidade. A dona da empresa, Sara Junger, afirmou que os passeios são feitos apenas quando moradores confirmam que o clima está tranquilo. Ultimamente, de acordo com ela, a procura tem sido baixa, e o último passeio em favela foi feito há três meses, no Vidigal. Já a Exotic Tour assegurou que cancelou temporariamente os passeios na Rocinha devido à violência, e só está oferecendo visitas ao Dona Marta. A dona da empresa, Rejane Reis, disse que a ida ao Dona Marta se resume a levar turistas à laje que ficou famosa pela presença de Michael Jackson durante a gravação do clipe de “They don't care about us”, em 1996.

— Turismo em favela depende de como você entra, que informações você dá, o que a comunidade tem como retorno. Trabalho há 25 anos com o turismo sustentável nas comunidades, dando aulas e contratando guias que são moradores — disse ela.

A agência de turismo que transportava María Esperanza Jiménez Ruiz na Rocinha divulgou nota lamentando a morte da espanhola. Ressaltou que a agência não recebeu qualquer informação da polícia sobre problemas ou confrontos na favela na segunda-feira, quando o crime aconteceu. “O Grupo Rio Carioca Tour lamenta a morte da turista María Esperanza Ruiz. A empresa é uma agência de turismo legalizada e conta com guias credenciados. O grupo de María Esperanza era acompanhado por uma guia credenciada, acostumada a fazer tour pela Rocinha, um roteiro muito procurado por turistas do mundo todo”. A empresa reitera que todo o trabalho da agência é conduzido com responsabilidade, “visando ao bem-estar de seus passageiros”: “O Grupo Rio Carioca Tour e seus colaboradores estão à disposição da polícia para prestar quaisquer esclarecimentos e espera que o caso seja elucidado o mais brevemente possível. A empresa também está à disposição para apoiar a família da passageira no que for necessário”.

*Estagiária, sob a supervisão de Luciano Garrido

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