RIO - Dois dias após a morte da turista espanhola na Rocinha, o secretário estadual de Turismo, Nilo Sérgio, informou nesta quarta-feira que a pasta dará apoio a uma operação do Ministério do Turismo, que vai fiscalizar agências e profissionais do setor a partir do mês que vem. Segundo o secretário, serão realizadas ações tanto nos endereços das empresas quanto em pontos turísticos.
- A partir do próximo dia 6, o Ministério do Turismo, junto com a secretaria, vai fazer blitzes para eliminar os profissionais e as agências que não têm cadastro. A fiscalização está no cronograma do Ministério do Turismo. Ela já estava prevista, mas foi antecipada - afirmou o secretário, acrescentando que em todo o Estado do Rio existem, aproximadamente, cinco mil agências e 11 mil guias.
A declaração foi dada após uma reunião na Cidade das Artes, na Barra, convocada pela Riotur, para discutir medidas que podem garantir a segurança de turistas em favelas. Participaram do encontro representantes de 16 órgãos, como a delegada Valéria Aragão, da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat); o comandante do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), coronel Marcus Vinícius Porto Vieira; e o secretário municipal de Ordem Pública, Paulo Cesar Amendola. As entidades decidiram formar um comitê com objetivo de criar regras para o turismo em áreas de risco.
- Nos reunimos para debater esse episódio lamentável (a morte da turista espanhola) e os próximos passos. Esse fato nos faz voltar dez casas para trás. O turismo não é mais vocação, é a saída da cidade para gerar renda. Não somos contra o turismo em comunidade. Queremos que ele cresça ainda mais, mas precisamos ter critério, normas - afirmou Marcelo Alves, presidente da Riotur.
Já a delegada Valéria Aragão defendeu que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) sejam informadas sobre os passeios turísticos:
- Negar o favela tour, eu acho profundamente antissocial. As comunidades aparentemente desejam, porque querem que esses lugares sejam visitados, integrados. Então, que seja regulamentado. A UPP, eventualmente, precisar ser comunicada sobre os veículos que estão circulando na região.
O Ministério do Turismo informou que, por questão estratégica, não divulgará os detalhes operacionais da fiscalização.


