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Porta-voz de Bolsonaro se recusa a responder sobre presidente na crise do coronavírus

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, se recusou a responder a uma pergunta do jornal Folha de S.Paulo sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro que minimizam a pandemia do coronavírus e sobre a participação do mandatário no protesto de domingo (15) em meio à crise sanitária. Rêgo Barros realizou na tarde desta terça-feira (17) um briefing para repórteres sobre as ações do comitê de crise do Covid-19, criado na segunda (16) por Bolsonaro. O órgão será coordenado pelo ministro Walter Braga Netto, da Casa Civil, e terá reuniões diárias durante a emergência da pandemia. Após a apresentação, o porta-voz abriu para algumas perguntas "para especificamente abordar questões do boletim" divulgado. A Folha de S.Paulo fez uma primeira pergunta para Rêgo Barros, sobre uma normativa do Ministério da Economia que disciplina para servidores federais precauções como home office e menor exposição de funcionários do grupo de risco. Em seguida, o jornal tentou questionar o porta-voz sobre as novas declarações de Bolsonaro nesta terça, quando ele voltou a se referir ao coronavírus como "histeria", e também sobre a participação do presidente nas manifestações pró-governo. Rêgo Barros não deixou que a pergunta fosse concluída: "essa pergunta, que você concluirá, eu não responderei. Próxima pergunta". Contrariando recomendação médica, uma vez que ainda segue protocolo por ter tido contato com casos confirmados de coronavírus, e na contramão de apelos do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Bolsonaro compareceu aos atos pró-governo e críticos ao Congresso no domingo. Após percorrer diferentes pontos de Brasília de carro, o presidente se dirigiu ao Palácio do Planalto e passou a acenar para manifestantes do alto da rampa do edifício. Depois, se aproximou de seus simpatizantes, tocou diversas mãos e segurou celulares para tirar selfies. Uma das principais orientações dos especialistas em saúde é evitar aglomerações durante a crise sanitária, para frear a disseminação do vírus. Nesta terça, mais uma vez Bolsonaro se referiu à pandemia como uma "histeria". "Esse vírus trouxe uma certa histeria. Tem alguns governadores, no meu entender, posso até estar errado, que estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia", disse o presidente, em entrevista à rádio Super Tupi. Ele se referiu às ações adotadas por governadores para restringir a circulação de pessoas nas ruas e evitar aglomerações. Durante a entrevista coletiva desta terça, Rêgo Barros foi questionado por outro veículo de comunicação se o Planalto, ao criar o comitê, entende que o Brasil vive uma situação de crise. "A elaboração por parte do presidente da República --a definição, melhor vocalizando-- de um comitê de crise é a revelação da preocupação da Presidência com este evento, que está a bater à nossa porta. Na verdade, já entrou dentro da nossa casa, e nós temos que ter todas as ferramentas, de forma sinérgicas, para vencer esse desafio", disse. O comitê de crise que será coordenado por Braga Netto terá reuniões diárias, segundo o porta-voz. Diante do risco de contágio, elas ocorrerão por videoconferência. Ele citou ainda uma série de ações que o governo adotou ou pretende tomar diante da crise da pandemia. Entre elas, aquisição de mais kits laboratoriais e equipamentos para exames; aumento de recursos e de leitos hospitalares; chamamento público para a contratação de médicos; assistência a brasileiros no exterior; campanha de vacinação em massa junto à população carcerária; edição de uma portaria que permite o isolamento compulsório; acompanhamento preventivo do reabastecimento; e fiscalização em portos e aeroportos.

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