As ofertas disparadas pelo governo são personalizadas, ou seja, variam de acordo com o caso. Os índices de compensação giram em torno de 20% a 30% do saldo da multa.
O Estadão apurou que as empresas estão divididas. Há quem interprete o movimento do governo como um ultimato e avalie encerrar as negociações e partir para a judicialização. Outras ponderam que há espaço para dar sequência às negociações.
A maioria descarta, no entanto, aceitar as propostas na forma atual. As empresas buscam até 70% de desconto no valor global do acordo. CGU e AGU resistem em ceder com uma revisão tão radical nos acordos.
"A minha posição, como advogado, é que se não houver uma demonstração diversa inequívoca, isso é a informação de que as negociações acabaram. É isso que de deseja? Não", afirma Sebastião Tojal, que representa a Andrade Gutierrez. "Se, no entanto, se deseja dar seguimento ao processo, isso precisar ser esclarecido."
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa a Camargo Corrêa ao lado do colega Giuseppe Giamundo Neto, garante que a empresa não deixará a mesa de negociação e insistirá na mediação.
"A gente reconhece, louva e aplaude a disposição e a disponibilidade do governo, através da CGU e da AGU, neste processo de mediação e de conciliação. Nós, entretanto, acreditamos que existam pontos controversos", afirma.
Para Marco Aurélio, as divergências são "naturais". O advogado afirma que vê disposição do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF) em viabilizar a "melhor solução possível".
"Vamos trabalhar na perspectiva de uma saída que seja possível, a equação do que é razoável, algo que atenda o interesse público, que possa ser aceito pelo governo, mas que contemple as empreiteiras."
As empresas que participam das tratativas são a J&F, Novonor, Camargo Corrêa, UTC, Engevix, Petrobras e Braskem. Já houve outras tentativas de repactuação, sem sucesso. Segundo a CGU, elas ainda devem R$ 11,7 bilhões à União.
As negociações ocorrem sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal. Foram feitas duas audiências para debater os acordos, além de várias reuniões bilaterais. O prazo para a conclusão da rodada de conversas, concedido pelo ministro André Mendonça, vai até 26 de junho.

