"Não, não, isso não", esquivou-se ontem (11) a presidente Dilma Rousseff, em Lima, no Peru, quando foi questionada sobre o impacto eleitoral da briga entre Haddad e Kassab. "Estou aqui fazendo uma visita de Estado e vocês ficam perguntando de eleição?" Em conversa reservada com Haddad, porém, Dilma disse a ele que não abrisse mão de combater a corrupção na Prefeitura. "Faça o que tem de ser feito", aconselhou ela ao petista, na quinta-feira, na Base Aérea de São Paulo.
A orientação contrasta com a avaliação de ministros do PT e dirigentes do partido de que o prefeito agiu de forma "afoita" ao abrir guerra contra Kassab e aumentar o IPTU.
Desvendado por investigações da Controladoria-Geral do Município - criada por Haddad - o esquema de corrupção na Prefeitura desviou pelo menos R$ 500 milhões em impostos na gestão de Kassab. "Há um episódio de corrupção endêmica no poder público (...) Foi identificada até uma quadrilha que falsificou R$ 1 bilhão em recolhimentos do Ministério da Fazenda. Ninguém está acusando a presidente", disse o ex-prefeito ao Estado.
Já Haddad se irritou com as críticas de petistas, preocupados com o impacto na campanha à reeleição de Dilma e na candidatura do ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo paulista. O petista e seu antecessor trocaram acusações em entrevistas ao jornal Folha de S.Paulo.
Ontem (11) operadores políticos dos partidos entraram em campo. "Não podemos deixar que um espirro na capital cause uma pneumonia na nossa estratégia estadual e nacional", afirmou o deputado federal Guilherme Campos (PSD). Mas a crise não se resume às declarações públicas. Vereadores do PSD dizem ter sofrido retaliações e perdido cargos em subprefeituras por terem votado contra o aumento do IPTU. O prefeito alega que substituições são feitas por critério de mérito. (Colaboraram Erich Decat, Pedro Venceslau e Ricardo Chapola). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

