Manaus/AM - A Polícia Civil revelou nesta terça-feira (30) detalhes chocantes sobre o esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes desarticulado na capital. O homem de 54 anos preso na operação usava uma adolescente de 14 anos, que já residia com ele, para atrair outras jovens para a situação de vulnerabilidade e exploração.
Todas as vítimas identificadas até o momento haviam fugido de casa, enfrentavam conflitos familiares e estavam fora da escola. A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) deflagrou na manhã de ontem (29 de setembro) uma operação que resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra o homem, principal investigado pela prática de exploração sexual.
A ação foi detalhada em coletiva de imprensa pela delegada Rosane Ferreira, titular da DEPCA, que explicou como o modus operandi do suspeito veio à tona. As investigações tiveram início após a fuga de uma adolescente que, dias depois, foi encontrada por familiares residindo com o investigado, na companhia de outras cinco adolescentes. "A partir do registro dessa ocorrência, nós iniciamos as investigações e, com base no testemunho e na escuta especializada dessa primeira vítima, obtivemos a informação de que o investigado atraía meninas entre 13 e 15 anos de idade com vulnerabilidade social e conflitos familiares para a exploração sexual", explicou a delegada adjunta Rosane Ferreira.
De acordo com as autoridades, o suspeito oferecia às vítimas moradia, alimentação, cosméticos, roupas, sapatos e até mesmo drogas e álcool, explorando a fragilidade e os vícios que algumas já possuíam e que geravam conflitos com suas famílias.
A exploração ocorria durante as madrugadas. As adolescentes eram levadas a um ponto específico na Avenida Itaúba, conhecido por ser área de prostituição, onde eram vigiadas e agenciadas por cerca de R$ 100 por encontro. A delegada revelou um detalhe chocante sobre o esquema financeiro: "Uma das vítimas, inclusive, chegou a apresentar um cartão plastificado com o QR Code da conta do investigado. Ele fazia esse cartão e entregava para as adolescentes para que elas pudessem entregar ao cliente para fazer o pagamento diretamente à conta dele."
Na manhã de ontem, ao cumprirem os mandados, os policiais encontraram duas adolescentes vivendo na residência própria do investigado, localizada no bairro Altays Mirim, próximo à Avenida Itaúba. O homem residia sozinho, mas mantinha um fluxo constante de meninas na casa. No local, foram apreendidos os celulares do suspeito para perícia e uma motocicleta com restrição de furto e placa adulterada, utilizada para levar as jovens aos locais de exploração.
As duas adolescentes resgatadas foram encaminhadas ao Conselho Tutelar para busca de familiares ou abrigamento. A polícia estima que o número total de vítimas possa chegar a sete, mas a investigação continua. "É um ponto difícil porque essas vítimas, em um primeiro momento, não o entendem como agressor; entendem como alguém que estava ali ajudando elas diante de tantas dificuldades", pontuou a delegada sobre a complexidade em obter a cooperação das jovens.
A DEPCA está apurando os crimes de exploração sexual e fornecimento de álcool e drogas, e buscará identificar e responsabilizar os clientes que realizavam os pagamentos via QR Code. Os pais das meninas serão localizados para acompanhamento e orientação familiar.



