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VEREADORES DE MANAUS NO MODO CAMPANHA ELEITORAL?


Por Elizabeth Menezes

29/02/2024 6h29 — em
Ombudsman



O vereador Raiff Matos (Democracia Cristã) usou a tribuna da CMM (Câmara Municipal de Manaus) para defender o ato pró- Bolsonaro, realizado no domingo 25, na Avenida Paulista, em evento que reuniu milhares de pessoas. E aproveitou o momento para, ao desafiar adversários do ex-presidente a fazer o mesmo, chamou os esquerdistas de maconheiros comunistas. “Eu quero encorajar para que o outro lado faça o mesmo. Porque eu tenho certeza que não consegue nem colocar um caminhão de maconheiros comunistas no meio da rua”, afirmou, na quarta-feira 28.

De acordo com o Portal do Holanda, a declaração do democrata cristão foi rebatida pelo colega Sassá da Construção Civil (PT), que o acusou de querer esconder o passado. “Esse vereador, o passado dele o condena. Ele fez tanta coisa errada no passado e agora ele quer cobrir o sol com a peneira”. Sassá prometeu acionar o Conselho de Ética mas, de acordo com a matéria, a CMM informou, em nota, que nenhum vereador havia tomado qualquer iniciativa sobre a fala de Raiff Matos. A pequena arenga pode ficar apenas na conhecida empolgação dos discursos em plenário. 

Conforme pôde ser verificado no noticiário do dia, outro acontecimento na CMM provocou muito mais barulho e chegou à Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas). Começou com uma denúncia da vereadora Professora Jaqueline (União Brasil), sobre troca de gestores de escolas municipais, apenas porque demonstram apoio a adversários políticos do prefeito David Almeida (Avante). Portanto, estariam sendo afastados dos cargos de forma arbitrária. “Eu peço que essa perseguição termine, que a Prefeitura, a Secretaria de Educação, deixem os nossos gestores trabalharem. Esses profissionais merecem respeito e, se comprovado uma perseguição política, é pior ainda”, declarou Jaqueline. Aliados do prefeito reagiram e a atitude deles foi considerada agressiva. 

“VIOLÊNCIA DE GENERO” 

Na Assembleia Legislativa, a deputada Alessandra Campêlo (Podemos) e o presidente Roberto Cidade (União Brasil) saíram em defesa de Jaqueline. Alessandra anunciou que a Procuradoria  Especial da Mulher recorrerá ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e ao Ministério Público, para as providências contra os vereadores Fransuá (PV) e Raulzinho (PSDB), por violência política e de gênero contra a vereadora (ocorrida na sessão da terça-feira 27). “É lamentável. Vários vereadores homens com dedo em riste gritando com a vereadora, impedindo a vereadora de se pronunciar. Isso é violência contra a mulher, principalmente partindo de um homem que tem uma compleição física maior que da vereadora”, disse Alessandra. 

Daniel Almeida (Avante), irmão do prefeito David Almeida, defendeu Raulzinho, negou agressão e afirmou repudiar qualquer abuso contra mulher. Para ele, tudo não passou de uma discussão normal, sem qualquer violência. Por meio da assessoria, Alessandra e Roberto Cidade reafirmaram apoio a Jaqueline. “Eu sempre defendi e defendo a bandeira das mulheres aqui nesta Casa e, também por isso, me solidarizo com a vereadora Professora Jacqueline, que faz parte do União Brasil e aproveito para dizer aos vereadores, deputados, enfim, para todos os parlamentares que nós precisamos respeitar as mulheres. As mulheres, todas elas, precisam ser tratadas com respeito”, afirmou Roberto Cidade, pretenso candidato à Prefeitura de Manaus.

 Como se pode verificar, a breve cena “maconheiros comunistas”, motivada por um evento nacional, ficou ofuscada pela cena da “violência de gênero”, de maior apelo à política local. É o que interessa mais, em ano de eleição municipal. Tanto Roberto Cidade quanto a vereadora Jaqueline, são do mesmo partido do governador Wilson Lima, que ainda não bateu o martelo em relação ao candidato a apoiar para a eleição deste ano. No princípio, Wilson Lima firmou parceria administrativa com o prefeito David Almeida, mas o dinamismo da política pode tornar os dois adversários. A Câmara Municipal de Manaus é integrada por 41 vereadores. Todos eles candidatos à reeleição. Ao mesmo tempo, todos podem ser importantes cabos eleitorais de candidatos a prefeito. 

É consenso que eleição municipal dá a largada para a eleição geral, dois anos depois. É certo, também, que o nível da temperatura política em tempo de eleição municipal aumenta, altera comportamentos, além de gerar muita expectativa. E nesse processo para a população escolher um novo prefeito de Manaus, ou reeleger o atual, a CMM é o lugar onde muitos caminhos podem ser mostrados. Quanto aos vereadores, da mesma forma que o prefeito, não sabem se continuarão com o mandato, depois de outubro. Nem por isso deixarão de entrar na disputa pelos votos dos eleitores. 

Sugestão da coluna à Redação deste portal: mais atenção e mais espaço para a CMM, porque a campanha eleitoral já começou.

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Elizabeth Menezes, jornalista formada pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), repórter em jornais de Manaus, a exemplo de A Notícia, A Crítica e Amazonas em Tempo. Também trabalhou na assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

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