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Quando o nome do partido é União

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O partido do governador Wilson Lima chama-se União Brasil, com a sigla UB, considerado de centro-direita. Surgiu da fusão do Democratas (DEM) e PSL (Partido Social Liberal), aprovado em 6 de outubro de 2021. Em 2018, quando eleito com mais de 1 milhão de votos no segundo turno (derrotando Amazonino Mendes),Wilson Lima  estava filiado ao PSC (Partido Social Cristão). Em 2022, ao disputar a reeleição e vencer o senador Eduardo Braga, WL já estava no UB sigla que, segundo o noticiário, hoje tem 50 diretórios municipais, incluindo o de Manaus. Desde que iniciou na vida política, em 2012, Wilson Lima, que é formado em jornalismo, esteve filiado ao PV (Partido Verde), PR (Partido da República) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). 

No último sábado 16, o deputado Roberto Cidade assumiu o diretório do UB de Manaus, num grande evento que reuniu o governador, deputados, prefeitos do interior e até empresários.  Roberto Cidade é presidente da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) e não esconde de ninguém a pretensão de ser candidato à prefeitura de Manaus, enfrentando David Almeida (Avante), na disputa pelo segundo mandato consecutivo.  Roberto Cidade é do mesmo partido de Wilson Lima, que tem firmado uma parceira administrativa com David Almeida ao longo dos anos. O fato desperta especulação sobre o nome a ser apoiado pelo governador para a eleição de outubro. Por outro lado, tem gente apostando que David Almeida pode se acertar com o PL de Jair Bolsonaro e todos os cálculos terão de ser refeitos. 

Na coluna Bastidores da Política, com o título “O candidato do governador”, do sábado 16, o diretor-geral deste portal, Raimundo de Holanda, define como “uma balde de água fria” a fala do governador quando, em meio aos elogios a Roberto Cidade, “soltou uma frase sem conexão com o evento e com os compromissos que vem assumindo com o deputado”, ao declarar que “ainda é cedo para lançar um nome”. Depois de lembrar que as convenções partidárias virão somente em julho-agosto, Holanda disse que o evento de posse de Roberto Cidade no diretório municipal “teve o brilho e a organização de uma convenção”, mas o governador deixou de dizer “sim ou não”. “Cidade mostrou que detém liderança, empatia com os eleitores, Mas Wilson deve a ele a verdade: o sim ou o não. E em público. Afinal, interessa aos eleitores saber o que e como o governador pensa ou quais os acordos políticos que mantém nos bastidores.  O problema é o que diz o governador e como diz. E o que diz um governador tem de ser levado a sério. Ou não?”, diz um trecho da coluna. 

Voando como abelhas

Em outro trecho, pode-se ler: “Política tem sua norma, que é a falta de norma. O que é deixado para depois se transforma em pernada”. Há também menção ao fato de o prefeito ir a Brasília “para conversar com a cúpula” do PL. Porém, de acordo com o colunista, será apenas uma “visita de cortesia aos amigos Alfredo Nascimento e Waldemar Costa Neto”. O texto se encerra com uma expressão enigmática, talvez. “Mas quem fala que o prefeito vai ingressar no Partido Liberal está voando como as abelhas...”.  Wilson Lima pode ter frustrado muitas expectativas, ao deixar “para depois” o anúncio de um nome a apoiar. Mas pode ter um quê de desconfiança em relação a antecipação, tendo ele próprio como exemplo de mudança que pode acontecer em período de campanha eleitoral. 

Em 23 de julho de 2016, o PR, então partido de Wilson Lima, realizou convenção para oficializar o seu nome na chapa de Marcelo Ramos, para a prefeitura de Manaus. Chapa puro-sangue. Festa e entusiasmo na convenção, com a presença do presidente estadual da sigla, Alfredo Nascimento. “O PR hoje inicia uma caminhada que vai levar Manaus para a retomada do progresso e desenvolvimento, que vai melhorar a vida das pessoas. Uma caminhada de gente jovem temperada pela experiência de quem sabe o que quer para o futuro de nossa cidade e de quem vai transformar a vida das pessoas”, discursou Marcelo Ramos, conforme registrado pela imprensa. Pois no dia 5 de agosto do mesmo ano, PSD e DEM resolveram apoiar Marcelo Ramos e Wilson Lima teve de ceder o lugar de vice para Josué Neto.

A eleição teve segundo turno, quando Marcelo Ramos perdeu para Arthur Neto. Dois anos depois (eleição 2018), Wilson Lima venceu a eleição para governador. Em 2026, impedindo por lei de concorrer a uma terceira eleição, é esperado que siga a “tendência” de todos os ex-governadores desde Gilberto Mestrinho e busque uma cadeira no Senado. Daí a necessidade de fortalecer as bases no interior. No discurso em que se colocou à disposição para concorrer à prefeitura de Manaus, Roberto Cidade lembrou que o União Brasil tem a maior bancada de deputados estaduais e espera eleger o maior número de vereadores. De fato, o partido tem seis dos 24 deputados estaduais. Enquanto o Avante, até agora o partido de David Almeida, tem apenas quatro. 

O Amazonas é formado por 62 municípios. Manaus, por ser a capital e onde se concentra a maior parte da economia do estado, é natural que a eleição para escolha de um novo prefeito e vereadores chamem mais a atenção do que os 61 municípios do interior. Nesse primeiro momento, o que se tem é o primeiro passo para o que acontecerá depois das convenções, quando começar a campanha para valer e as propostas/promessas virão a público. O evento de sábado teve cobertura de todos os veículos de comunicação. O governador é também presidente do diretório regional do União Brasil. O diretório do partido, em Manaus, está nas mãos de um presidente do legislativo estadual que pretende ser prefeito de Manaus.

“Roberto Cidade assume presidência municipal do União Brasil e confirma candidatura a prefeito”; “Roberto Cidade assume diretório do União Brasil e reafirma desejo de concorrer à prefeitura de Manaus”; “Coloco meu nome à disposição do partido para disputar a prefeitura de Manaus, diz Roberto Cidade”, são manchetes que traduzem a realidade de hoje no tocante às próximas eleições da capital. Ao mesmo tempo, grandes problemas de Manaus e de todo o estado estão presentes nas manchetes e reportagens diárias. Além de boas notícias - porque existem, sim, boas notícias.  A torcida é para que as boas notícias sejam em maior número, e para o maior número de pessoas. A imprensa existe para noticiar os fatos. 

Sugestão à Redação deste portal: que tal desvendar esse mistério sobre “voando como as abelhas...”?

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