Nesta quarta-feira 5, deputados aprovaram um projeto para o apresentador Sikêra JR ganhar o título de Cidadão do Amazonas. Para merecer tal honraria, é exigido que a pessoa tenha prestado “relevantes serviços” ao Estado, “possua caráter escorreito e conduta ilibada”, dentre outros requisitos. Sikêra nasceu em Palmares (PE) e depois de ser demitido da RedeTV, passou a comandar o programa “Novo Alerta”, na TV A Crítica, de Manaus. O deputado Mário César Filho (União Brasil) foi o autor da proposta, que recebeu 12 votos a favor e oito contra. Quem votou contra não poupou críticas ao futuro cidadão amazonense, conhecido por suas manifestações preconceituosas e racistas.
Segundo publicou o Portal do Holanda, o autor da proposta diz que o apresentador “tem ajudado muita gente com o programa de TV” e também “vem divulgando o Amazonas para todo o Brasil”. O argumento não convenceu a deputada Alessandra Campêlo (MDB), que é jornalista e relembrou um pouco a trajetória do apresentador.
"Eu não poderia votar favorável, porque o colega jornalista responde a muitos processos por machismo, sexismo, misoginia e homofobia, inclusive impetrados pelo Ministério Público Federal", afirmou Alessandra, de acordo com a matéria, que prossegue: "Dizer que mulher negra tem venta de jumenta; chamar população de lixo, bosta, raça de desgraçados, raça do cão e dizer ´já pensou ter um filho viado e não poder matar?´ São coisas graves, que ferem os direitos humanos e dignidade da pessoa". Alessandra fez um resumo das acusações que pesam sobre o apresentador, fã declarado do agora ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), outro Cidadão do Amazonas. Também os deputados Adjuto Afonso (União Brasil) e Sinésio Campos (PT) se manifestaram contra a proposta (a decisão dos deputados recebeu duras críticas na coluna Bastidores da Política, assinada pelo diretor geral Raimundo de Holanda)
Em esclarecimento ao leitor, a coluna Ombusdman de ontem recebeu o seguinte título: “Portal do Holanda ignora a casa do povo”. Tratou exatamente da falta de cobertura jornalística na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e também na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Conforme pode ser observado pelo leitor deste portal, hoje tem notícia sobre as duas casas legislativas. Na CMM, um projeto de lei para aumentar verba de gabinete, passando de R$ 70 mil para R$ 98 mil, começa a ser analisado. A verba é destinada ao pagamento de assessores de gabinete.
A matéria informa que os vereadores têm direito de contratar até 50 assessores para os seus gabinetes. O presidente da CMM, Caio Andrade (PSC), afirma que os salários de assessores estão defasados. E que depois da aprovação do projeto em análise, o valor mínimo será de R$ 1.320 e o máximo, R$ 2,5 mil. Outro projeto, aprovado hoje, é sobre o Botão do Pânico, de autoria do vereador Lissandro Breval (Avante). A instalação do dispositivo permitirá que motoristas e cobradores de ônibus do transporte público acionem as autoridades policiais, em casos de emergência. São assuntos de interesse do leitor, que a imprensa tem o dever de divulgar.
FALTA MAIS UM POUCO DE ATENÇÃO
Nas três matérias aqui citadas, algumas observações precisam ser feitas. É essencial que, no texto, seja citado a sigla partidária dos parlamentares. Na primeira matéria, alguns deputados não foram identificados por seus respectivos partidos. É uma grande falha de um repórter de política. Em poucos segundos tal informação pode ser conseguida na internet. Fica ainda mais esquisito quando, no mesmo parágrafo, com o nome de vários parlamentares, apenas alguns deles são identificados. Ainda na reportagem citada, o número de votos a favor e contra é mostrado quase ao final. Tal informação deve constar no início. Uma outra observação é sobre o que se chama de redundância. Um exemplo está na matéria sobre o aumento da verba de gabinete na Câmara Municipal.
Ao escrever “o presidente da CMM, vereador Caio Andrade(PSC)”, o autor da frase comete uma redundância. Não é nenhum pecado mortal. Mas é desnecessário que o presidente da Câmara é vereador. Óbvio que, se não fosse vereador, não seria presidente da Câmara. O mesmo vale para o presidente da Assembleia, da Câmara Federal ou do Senado. Precisa dizer que o senador fulano de tal é presidente do Senado? Ou o deputado federal X é o presidente Câmara dos Deputados? Ou que o deputado estadual y é presidente da Assembleia Legislativa? Apenas uma sugestão, colegas!

