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Sem carisma, Charles terá destaque no casamento real de Harry e Meghan

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RIO E LONDRES — Ofuscado entre duas gerações carismáticas na realeza britânica, o príncipe Charles — o menos popular entre os protagonistas da família — ganhará um papel de destaque no casamento do filho caçula, o príncipe Harry, que acontece hoje. Ele conduzirá a noiva, a americana Meghan Markle, por um trecho do seu caminho ao altar, depois que o pai dela sofreu um infarto e não comparecerá à cerimônia na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor. De reputação controversa, sobretudo pela sua história com a princesa Diana, que nada se assemelhou aos contos de fada ligados ao imaginário sobre a nobreza, o filho da nonagenária rainha Elizabeth II vê se aproximar a hora de encarar, mais do que nunca, o desafio da baixa popularidade, quando chegar a sua vez de assumir o trono.

Ontem, após muita especulação da imprensa e dos fãs da realeza, a Coroa anunciou em nota que Meghan pedira que Charles substituísse seu pai na igreja e que “o príncipe de Gales fica feliz em receber a srta. Markle na Família Real dessa forma”. Mas o papel do príncipe será limitado, segundo reportagem da rede CNN: primeiro, a noiva entrará sozinha na capela, numa atitude inédita para os casamentos reais, para depois ser guiada por Charles por um trecho do caminho ao altar. No fim do trajeto, no entanto, ela voltará a ficar por conta própria, e não será de fato “entregue” ao futuro marido.

Mesmo assim, a elevação da sua função no casamento já é lucro para Charles, que não tem filhas mulheres. Segundo Richard Fitzwilliams, comentarista britânico especializado em assuntos reais, este é um momento em que o nome do príncipe está particularmente distante das graças do público, desde o 20º aniversário da morte de Diana, no ano passado, marcado pela primeira vez em que seus filhos falaram publicamente do trauma provocado pela perda da mãe. Adorada pelos britânicos e praticamente um ídolo pop, antes de morrer num trágico acidente a princesa chamou de “frio e sem amor” o relacionamento com o marido, que, por anos, teve como amante a sua atual mulher, a duquesa da Cornualha, Camilla Parker Bowles.

— É fato reconhecido que Charles fez uma quantidade incrível de caridade. E não há papel constitucionalmente especificado para o príncipe de Gales, então ele mesmo o está criando. As pessoas apreciam o que ele já fez por muitos, mas, a cada vez que Diana é lembrada, e fala-se muito sobre ela na imprensa, é um desastre para a popularidade de Charles. A sua vida pessoal é mui to controversa, e tudo isso é muito difícil para ele — explicou Fitzwilliams ao GLOBO.

A MAIOR ESPERA DA HISTÓRIA

Outro fator que dificulta a popularidade de Charles é o seu longo tempo de espera para se tornar rei, o maior na história britânica. Prestes a completar 70 anos em novembro, o pai de Harry e Charles não tem o mesmo estilo de vida e roteiro familiar emocionantes dos filhos, que, por serem jovens, trazem muitas novidades. O caçula ficou famoso pela carreira militar, o trabalho ambiental e o jeito festeiro; e William casou-se com a admirada Kate Middleton e acaba de ter o terceiro filho.

Não foi à toa que, ontem, os dois foram recebidos por uma multidão entusiasmada de milhares de pessoas no Castelo de Windsor. Fazendo jus aos altos índices de popularidade, cumprimentaram várias pessoas. Uma pesquisa Ipsos MORI da semana passada mostrou que Harry é apontado como um dos favoritos por 42% do público britânico — a posição de predileto não foi ultrapassada nem pela rainha, com 32% para o mesmo índice, nem por William (30%). No fim do ranking, estão Charles (9%) e Camilla (5%).

Há quem especule que a coroa poderia passar direto para William, segundo na linha de sucessão, para desviar de Charles. Mas Fitzwilliams explica que esta não é uma possibilidade na monarquia, cujas rígidas regras ultrapassam tais imagináveis artimanhas. E, inclusive, a sua mulher poderá ser rainha, embora oficialmente o plano por enquanto para ela seja o título de princesa consorte.

— Camilla é, de fato, controversa. As pesquisas mostram que a maioria do público não a quer como rainha. Mas todos os reis da Inglaterra tiveram uma rainha. Como a decisão caberá a Charles, todos acreditam que ela ocupará o posto. Creio que isso acontecerá, mas não é algo popular — explica o especialista.

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