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Artigo: O atentado que era esperado

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Chegou o atentado inevitável. Todos os serviços de informação espanhóis o anunciavam em seus informes confidenciais ao governo há vários anos. E, na lista de cenários possíveis, Barcelona ocupava sempre um lugar privilegiado. Las Ramblas e a Sagrada Família apareciam frequentemente entre os alvos hipotéticos na mente dos jihadistas.

A Catalunha é o berço mais quente do salafismo na Espanha. É onde, há uma década, a CIA e o FBI criaram uma ativa base secreta de espionagem na sede do consulado americano, frente ao acúmulo de informações que apontavam este território como lugar estratégico no Mediterrâneo.

O golpe não foi uma surpresa. O que realmente surpreende é que a Espanha tenha se livrado durante três longos anos do dramático rosário de ataques jihadistas que sacode a Europa. Uma onda que aumentou na mesma progressão em que o Estado Islâmico perdia terreno nos seus feudos na Síria e Iraque.

Sofremos em 2004 o ataque terrorista mais grave da História da União Europeia, com 192 mortos. A jihad internacional conseguiu no nosso país a sua vitória mais sangrenta e demonstrou que era possível golpear a acomodada e segura Europa. Desde então, uma acertada política dos governos do Partido Socialista (PSOE) e do Partido Popular (PP) reforçou com meios materiais e humanos os serviços de informação. Esta firme resposta (o número de agentes foi de 150 a mais de três mil), a mudança do nosso Código Penal para adequá-lo à nova ameaça e o esforço de juízes e promotores na aplicação das denominadas detenções preventivas — foram mais de 700 — conseguiram o milagre. Nosso país saiu ileso e converteu-se num modelo a seguir para outros países com serviços de informação muito mais poderosos, como a França e o Reino Unido. A Baraka (“graça divina”, em árabe) terminou nas Ramblas de Barcelona.

Este massacre era um segredo aberto. Até nós, da imprensa, fomos nos últimos anos mais discretos, por responsabilidade sobre a gravidade da ameaça.

O desafio é arrepiante. Mais de mil suspeitos estão no radar das Forças de Segurança, e ao menos 259 pessoas são investigadas. Todas as autoridades consultadas reconhecem que esta ameaça é impossível de controlar. E mais ainda agora que os salafistas usam meios tão precários quanto eficazes, como os atropelamentos ou os ataques de lobos solitários.

Este e os últimos ataques na Europa demonstram, mais uma vez, que temos que nos preparar para conviver com a jihad.

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