Manaus/AM - Após passar mais de 40 dias internada com queimaduras graves devido ao incêndio na lotérica do Mercado Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus, a única sobrevivente do sinistro Adrielen Mota de Assis, de 35 anos, contou nesta terça-feira (27), detalhes de como tudo aconteceu.
No dia 26 de agosto, o venezuelano Luis Domingos Siso, de 60 anos, ateou fogo no estabelecimento após ficar descontrolado por não conseguir sacar um dinheiro.
Segundo a mulher, que trabalhava na loteria, ela não percebeu quando Luis chegou no local, mas lembra que ele começou a brigar com uma pessoa que estava sendo atendida em um dos caixas da lotérica.
"Quando percebemos a confusão, ficamos com medo de abrir a porta por pensar que fosse um assalto, e ele poderia entrar e render a gente. Mas quando percebemos que ele estava ateando fogo, não conseguimos mais abrir a porta", contou Adrielen em entrevista à Rede Amazônica.
Ela lembrou ainda que a fumaça e o fogo se alastraram rapidamente deixando ele e os colegas de trabalho sem ar ao ponto de desmaiar. "Não deu nem três minutos da fumaça entrando, eu desmaiei. Meu primo Diego e o gerente Carlos também desmaiaram, mas depois conseguiram me tirar dali, mas também ficaram muito feridos", lembrou.
As quatro vítimas foram encaminhadas ao Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto, mas três delas não sobreviveram. No dia 21 de agosto morreu o gerente da loteria, Carlos Henrique da Silva Pontes, de 50 anos; no dia 22 de agosto morreu Henison Diego da Silva Mota, de 33 anos; e no dia 26 de agosto morreu Estefany do Nascimento Lima, de 23 anos.
Adrielen precisou tratar queimaduras de 2° e 3° graus pelo corpo e quase foi entubada duas vezes. Além dos ferimentos, ela também precisou fazer fisioterapia e receber atendimento psicológico.
Já o suspeito foi preso no dia 8 de setembro, após receber alta do Hospital Pronto-Socorro João Lúcio, onde estava internado porque foi espancado pela população após atear fogo na lotérica.


