Manaus/AM - Ver filas de mais de oito quilômetros e espera superior a 14 horas para passar por perto do local onde está o caixão da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, além de chamadas constantes nos meios de comunicação, mostram a atração que as pessoas detentoras desses títulos ainda despertam.
Mas no caso da Rainha Elizabeth II, um dado importante precisa ser registrado, na opinião do professor de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antônio Souza.
“No longo reinado dessa mulher, que durou 70 anos, a Inglaterra tornou-se conhecida por oprimir povos negros ao redor do mundo”, afirmou Luiz Antônio, ao citar que o país da rainha bancou a política e a economia do regime do apartheid, que pregava segregação das populações negra e branca, veiculada pela política oficial de minoria branca da República da África do Sul, durante a maior parte do Século XX.
De acordo com ele, é preciso não esquecer que a Inglaterra bancou também as práticas de exploração de diamantes no Congo, a exploração violenta de minérios em Gana e outros países do continente africano.
“Ela, inclusive, veio ao Brasil apoiar a Ditadura Militar, por isso não temos o que festejar dessa realeza que contribui para opressão e violência e exploração de povos ao redor do mundo”, afirmou o sociólogo.
Favorecidos pela literatura e cinema, que sempre os colocaram como sujeitos com poderes absolutos, valentes e conquistadores, reis e rainhas ainda despertam muitos sentimentos controversos na população.
“Eles são colocados como sujeitos poderosos, valentes, conquistadores e capazes de articular as bases locais em
defesa de territórios e valores, que é muito bonito, mas é ilusório, como é ilusão também a ideia do rei que não é questionado, exceto o caso da fábula ‘O rei que está nu’ “, disse ele.
Para o professor, embora ainda existam cerca de 30 nações com sistema de governo monárquico, que são bem-sucedidas economicamente por dividirem o poder com o parlamento, eles têm um custo de manutenção elevado financeiramente e são pouco efetivos nas tomadas de decisão.



